Nitidez é preciso

Embora tenha bons amigos no PT e reconheça realizações positivas nos anos Lula, penso que o Brasil precisa muito de uma alternância democrática, em 2014. Essa experiência PT-grotões chegou ao seu limite

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Não vou comentar mais o bizarro caso Miro Teixeira. Conforme se pode verificar aqui, há três meses cantei essa bola e, recentemente,  reiterei essa advertência. Essa candidatura nunca foi para valer!

Agora temos um novo imbroglio  com a articulação no PSB para apoiar a candidatura a governador  de Lindberg pelo PT. É o bizarro dois!  Sei que isso facilitaria a eleição de deputados, inclusive a minha,  se de fato o PT está oferecendo coligação para deputado federal. Em 2010, tive mais voto que três dos cinco eleitos pelo PT. Deveria respirar aliviado com essa facilidade aritmética.

No entanto, sou totalmente contrário a essa coligação. Nada contra o senador, pessoalmente. Mas perdoem-me o recurso ao chulo:  isso não seria uma coligação mas uma suruba! Não tenho  condições de apoiá-la por uma razão muito simples e cristalina: sou crítico ao governo do PT. Passei os quatro anos de mandato criticando o governo Dilma, de forma respeitosa porém firme,  e venho propugnando uma alternância nessas eleições. Não posso agora aparecer coligado ao PT utilizando do seu cociente eleitoral para me reeleger!

Não preciso fazer grandes consultas para saber que muitos dentre meus eleitores não concordariam com esse tipo de comportamento político. Não sou avesso a uma certa dose de pragmatismo mas aí já é demais: é uma dose cavalar.

Penso que o PSB deva lançar candidato ao governo do Rio de Janeiro  e dar a Eduardo-Marina um palanque nítido, inequívoco. O  nome,  nessas alturas do campeonato, depois de três preciosos meses perdidos, é secundário. Importante é a nitidez do palanque.

Uma proposta de coligação "orgiástica" dessas espalha  confusão e suspeita. Por que haveria o PT de aceitar esse estranho "palanque duplo"  entre situação a oposição? Uma coisa seria um palanque duplo, oposicionista,  como, em 2010,  o de Gabeira  com Marina e Serra. Mas um palanque duplo de situação com oposição? Quais os acordos por trás disso? Por que razão o PT consentiria?

Existirá, por acaso,  algo envolvendo  segundo turno???

Embora tenha bons amigos no PT e reconheça realizações positivas nos anos Lula, penso que o Brasil precisa muito de uma alternância democrática,  em 2014. Essa experiência PT-grotões chegou ao seu limite e um novo governo Dilma seria muito ruim para o país.

Não participo desses frissons de ódio contra eles --nem o deles contra quem não concorda com eles-- muito em voga nas redes sociais,  mas chegou a hora de apontar ao grupo do Planalto a porta da rua, serventia da casa. No futuro, no bojo de uma autocrítica e uma faxina interna, penso que poderão voltar a exercer um papel positivo dentro de um realinhamento histórico do quadro político brasileiro. É uma tese que defendo desde 2010.  Nesse momento, porém, precisam ser derrotados --inclusive o Lula-- até para que, no futuro, o PT possa ser salvo dele próprio.

Porque acredito na nitidez em política e na alternância democrática não concordo com essa bizarrice que  estimularia mais ainda a não participação, como já estamos vendo com a galera dos 16 aos 18 anos, sem interesse em participar das eleições. Vai ter voto nulo e branco adoidado se nos dobrarmos ao oportunismo,  ao pântano político. Prefiro correr o risco de um cociente eleitoral muito difícil de alcançar ou,  simplesmente,  não participar desse processo, pois, conveniamos, há vida inteligente fora da política eleitoral/parlamentar.

A pergunta é se dentro ela continuará existindo.

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