No banco de reservas da história

"Que o brasileirão volte a ser democrático e emocionante. Que os pernas- de -pau sejam colocados no banco de reserva da História e os craques de verdade mostrem o que é o futebol- arte, o que é a política- arte, o que é a arte popular, o que é a cultura de um país", escreve o cartunista Miguel Paiva

(Foto: Miguel Paiva)
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Por Miguel Paiva, para o Jornalistas pela Democracia 

A impressão que dá é que as elites brasileiras, e isso inclui empresários, executivos, políticos, donos de empresas de comunicação e bolsonaristas de aluguel, não estão se incomodando muito com o que estamos passando. Verdade que, de vez em quando,  lemos ou vemos notícias que nos dão uma impressão diferente. O  Supremo convoca  Bolsonaro para depor mas isso não dura muito. No dia seguinte o mesmo Supremo reconhece que a Lava Jato é totalmente constitucional, mesmo com todas as denúncias existentes.  

Vivemos essa judicialização forçada como num grande jogo de futebol, com altos e baixos, faltas e penalidades máximas e poucos gols, mas o VAR sendo convocado o tempo todo. E só continuamos a torcer depois que o vídeo determina, foi falta ou não. Assim é o nosso país. Um imenso Brasileirão onde os times trocam de nome, de técnico e de jogador mas o nível do futebol jogado é o pior possível.

A elite que não vai ao estádio e fica sabendo dos resultados pelas redes sociais para continuar apostando nessa loteria esportiva imaginária, gosta do que vê. Para ela melhor assim do que deixar jogar aquele time que todo mundo sabe o nome do técnico que ganharia todas as partidas em jogo honesto.

Mas não, isso a elite não quer e continuamos a assistir perplexos esse festival de jogadas horrorosas, faltas violentíssimas na cara do juiz que a cada dia se posiciona sem o menor pudor a favor de um time ou do outro. 

E dá-lhe cartão vermelho...aliás, cartão vermelho não. Devem estar pensando em mudar logo essa simbologia. Será cartão verde mesmo, ou verde e amarelo desvirtuando nossas cores originais, associando-as ao fascismo sem cor.

Esse é o campeonato que faz concorrência com qualquer atividade esportiva honesta. Lemos  no caderno de esporte ou vemos na internet as notícias e ficamos chocados. Como é possível que ninguém faça nada? Das chamadas instituições democráticas, comprometidas até a alma com o regulamento desonesto desse campeonato, e sem força para impor sua regras, dali mesmo que não virá mudança alguma.

A torcida precisa poder voltar aos estádios, tomar as ruas gritando seus hinos e clamando seus heróis verdadeiros. Essa é a maneira clássica que sempre deu certo. Num país totalmente paralisado por um governo inerte e uma pandemia, nada melhor que espalhar uma série de mentiras para manter a torcida em casa. 

Alguns jogadores acabam se rebelando. Neymar abriu a boca na França acusando juízes e jogadores de racismo depois de ter sido chamado de macaco. Se declarou negro, coisa que nunca havia feito. Caetano falou mais alto que Pedro Bial que insistia no lugar comum de comparar socialismo a nazismo como regimes autoritários. Se esquecia que são coisas diferentes. O nazismo foi um regime que se sustentou no extermínio do povo judeu. O socialismo foi inventado por Karl Marx lá atrás que, salvo outros poucos momentos, nunca palpitou em regimes. Stalin usou de modo absurdo e cruel a força autoritária, mas foi um tropeço do socialismo, não um modo de ser. O nazismo não  cometeu erros quanto a isso. Fez exatamente aquilo que sempre quis, ser cruel, violento e genocida. 

São dois conceitos que, pelo menos, valem uma discussão. É o que Caetano começou a fazer. Refletir sobre uma condição que não se sustentava mais na sua consciência. Como um torcedor que decide gritar  "juiz ladrão" no meio da torcida adversária. É preciso coragem mas pode ser que assim, outros também gritem.

Os negros estão se rebelando, as mulheres, os gays, os índios e os pobres. Chega de ser obrigado a torcer pelo time errado ou a assistir de longe, sem emoção esse campeonato fajuto que estamos vivendo agora.

Que o brasileirão volte a ser democrático e emocionante. Que os pernas- de -pau sejam colocados no banco de reserva da História e os craques de verdade mostrem o que é o futebol- arte, o que é a política- arte, o que é a arte popular, o que é a cultura de um país. Que os militares fiquem nos quartéis e deixem a população produzir cultura. Só assim voltaremos a ser um país respeitado como já fomos inclusive pelo nosso futebol. 

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