No Brasil da "democracia racial", cachorro morto em supermercado gera mais comoção do que jovem chicoteado

Um jovem foi chicoteado no supermercado. Isso mesmo, horas sob tortura. Um outro, há uns dois anos, foi morto por um segurança do Habibis. No mercado Extra, um outro foi morto por um sossega leão de um segurança. Todos negros. Silêncio. Isso não comove. Um cachorro morto em um supermercado, sim. E viva o Brasil da democracia racial!

Ando evitando postagens políticas nas redes sociais, em uma luta diária de preservação da minha saúde mental, já que trabalho com isso. Aliás, trabalho neste glorioso portal onde também escrevo meus artigos. 

Mas queria apenas registrar: um jovem foi CHICOTEADO no supermercado. Isso mesmo, horas sob tortura. Bem no estilo casa grande e senzala. Um outro, há uns dois anos, foi morto por um segurança do Habibis. No mercado Extra, um outro foi morto por um sossega leão de um segurança. Todos negros. Silêncio. Apenas os "chatos" dos direitos humanos gritam. 

Isso não comove. Um cachorro morto em um supermercado, sim. Tem protesto, é notícia no jornal nacional, abaixo assinado, vira meme. (Não estou defendendo a tortura de animais, pela graça do senhor Jesus). A vida de um cão vale mais do que a carne negra no Brasil.

Lembro com clareza de uma manifestação que participei, ainda como diretora da UNE,  contra o extermínio da juventude negra e periférica. Por lá, mães, aos prantos, cobrando justiça. Seus filhos se foram, jovens, sem explicação alguma. Apenas apareceram mortos nas esquinas, nas bocadas. A polícia? Bem, nos boletins de ocorrência sempre informam que foi bala perdida ou legítima defesa. Simples assim. Um número. 

Apenas canais progressistas cobriam o ato. Nada de Globo, nada de glamour.   Velas foram acesas para relembrar as vítimas. A tinta vermelha no chão remetia o sangue derramado. Nunca vou esquecer tal cena. 

Uma pesquisa realizada pela Fundação Abrinq mostra que as vítimas de homicídio no Brasil têm cor. Em 20 anos, o número de jovens negros assassinados aumentou 429%, ante 102% de jovens brancos. Mas isso tudo deve ser mimimi de direitos humanos ou fake news. 

No País onde um dejeto que xingou e humilhou quilombolas foi eleito presidente, onde ainda impera o mito da "democracia racial", a carne negra ainda é a mais barata sim. 

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