No Brasil de hoje, governar é lutar

Os sinais emitidos pela presidenta não deixam margem para que se questione se ela dará cabo dos quatro compromissos anunciados no Discurso da Vitória

Os sinais emitidos pela presidenta não deixam margem para que se questione se ela dará cabo dos quatro compromissos anunciados no Discurso da Vitória
Os sinais emitidos pela presidenta não deixam margem para que se questione se ela dará cabo dos quatro compromissos anunciados no Discurso da Vitória (Foto: Leopoldo Vieira)

A presidenta Dilma anunciará a nova equipe econômica nesta quinta-feira. Os jornais afirmam que Joaquim Levy chefiará a Fazenda, Nelson Barbosa o Planejamento, Kátia Abreu a Agricultura e Armando Monteiro a Indústria.

Um primeiro fato salta aos olhos. A presidenta parece ter conseguido um consenso inédito, pelo menos quanto às direções da Fazenda e Planejamento. Nunca na história deste país, importantes jornalistas de direita e de esquerda convergiram ao elogio de uma equipe econômica.

Claro, há setores críticos, mas centrar a crítica na presidenta é não querer ver que a proposta foi resultante de um entendimento entre atores-chave do campo nacionalista, popular e democrático. Portanto, sem essa de que Dilma "não ouve o PT" por que este aprovou, em sua última Executiva Nacional, uma resolução "de esquerda" e ela, supostamente, estaria a adotar a agenda derrotada nas urnas.

Quem duvida do rumo, deve saber diferenciar o Principal e o Acessório, todavia, os sinais emitidos pela presidenta não deixam margem para que se questione se ela dará cabo dos quatro compromissos anunciados no Discurso da Vitória.

Em entrevista coletiva a jornalistas durante a reunião do G-20, a presidenta considerou uma gentileza que ministros colocassem seus cargos à disposição, mas deixou claro, em palavras mais ou menos assim, que estes sempre estariam à disposição dela, por que assim o é no Presidencialismo. Também disse que haveria ajustes, mas que não prejudicariam a demanda, mas tão somente despesas consideradas como excessos. Nas articulações propriamente ditas do bloco, o Brasil cumpriu um papel determinante na articulação do que já é chamado de um "PAC do G-20", o oposto da cartilha do FMI para o mundo. O chefe da Casa Civil, em recente reunião com a Confederação Nacional da Indústria-CNI, não só defendeu a revisão da meta do superávit na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como assegurou que o objetivo seria preservar empregos, salários e investimentos em infraestrutura. O mantra da campanha.

Tudo indica que a conta resultante da economia será estímulos desenvolvimentistas com rigor fiscal e não o oposto, rigor fiscal determinando a margem do desenvolvimento. E quem disse que "representações" de certos setores estarão no governo para defender certas agendas e não para refazer pactos e possibilitar avanços?

O que a presidenta precisa neste momento é de apoio. Apoio para colocar os termos do governo nos termos da campanha, para não ser emparedada, venha de onde vier a pressão.

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