No canto do mundo
O Brasil do Bolsonaro é tão tosco que chega a ser previsível
Ilustração: Genildo Ronchi
O Brasil em um canto do salão na reunião dos líderes do G20 é o do Bolsonaro. É a cara dele, alguém que ainda não sabe a quem representa ou deveria representar, que confunde a gestão de governo com funções e atribuições de Estado. Ou nem isso.
É de alguém que acha que o Jair vem na frente do cargo quando está em ambiente diplomático. É o do Bolsonaro sem empatia, da disputa de narrativas. Quando elas escapam ao controle, vê como solução partir para a agressão aos jornalistas.
O Brasil do Bolsonaro é tão tosco que chega a ser previsível.
Mas a esta altura da nossa degradação, o Brasil não é mais só o do Bolsonaro. É o do jantar animado da elite, onde se ri da miséria de um país aliviado pelo afastamento da ameaça golpista do presidente, ali sendo imitado pelo comediante.
É o Brasil do banqueiro, que conta vantagem pelo fato de ser procurado pelo presidente do BC na consulta sobre a taxa de juros. E ainda diz, sem rodeios, como uma escolha política é feita pelos donos do mercado.
É o Brasil do ministro da Economia, que tendo uma offshore em paraíso fiscal, é beneficiário direto da política cambial da qual é um dos gestores.
É também o Brasil dos heróis anticorrupção, que tendo empurrado empresas e setores inteiros da economia para a quebradeira, anunciam o desejo de agora entrarem para a política, como se já não tivessem participado dela ativamente.
É o Brasil do voto parlamentar comprado a partir de um orçamento secreto, onde sobra dinheiro para a facilidade da corrupção enquanto falta o mínimo de transparência na aplicação dos recursos e respeito com o sofrimento da população.
O Brasil do Bolsonaro é o de uma parte da imprensa, que tendo aderido ao jornalismo de guerra, joga contra a liberdade de expressão e acha razoável manipular a informação, fazer dela bucha de canhão e atirar na verdade para abater o inimigo.
O Brasil de Bolsonaro é plural em exemplos que explicam porque este é um país que ainda não deu certo. Só não é apenas o do Bolsonaro, mas aqui o Jair, vindo na frente, é o maior estímulo para que triunfe o pior que existe em cada um de nós.
Quer legado maior com o qual toda a representação dessa gente buscará um segundo mandato? Sim, a política para a morte e não para a vida.
O Brasil, que é nosso, é o que está no canto do mundo, mesmo a gente sabendo que ele é muito maior e melhor do que isso daí.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

