Nós Continuamos Jovens

O colunista Miguel Paiva cita artistas e defende a luta 'para sermos sempre jovens, manter acesa essa chama que nos faz irreverentes e solidários'

(Foto: Miguel Paiva)


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Vou assistir ao show do Paul McCartney aqui no Rio acompanhado de 3 gerações, a minha e da minha mulher Angela, a dos meus filhos Diego e Vitor e a do meu neto Tom. Para todos, Paul é o símbolo da música que identifica e resta nos ouvidos e na memória. Paul tem 81 anos, assim como Caetano, Gil e muitos outros. A música que fica não tem idade. Paul tem 81, mas podia ter 18. Sua energia talvez seja até maior hoje.

Em 1963 quando ouvi pela primeira vez uma canção dos Beatles ao lado de um amigo e do tio dele que era maestro do Teatro Municipal percebemos a partir da opinião do tio como a música de Paul era rica em harmonia, em soluções medievais, em modernidade. A partir daí os Beatles nunca mais deixaram minha vida. Dos dias na casa do Ziraldo em que recebemos o LP Abbey Road e quase que numa cerimônia pagã abrimos e ouvimos em respeitoso silêncio as músicas que se seguiam. Eram outros tempos, tempos do vinil e que as músicas lançadas só podiam ser ouvidas no próprio disco ou nas rádios que as reproduziam. A novidade que chegava era de fato nova. Hoje a internet apressa tudo e a novidade, aquela que também tínhamos nos jornais quentinhos nas bancas com nossos desenhos, depende só de um toque no celular.

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Beatles e Rolling Stones representam essa longevidade do Rock como manifestação cultural que veio para ficar, para mudar a nossa história, para inaugurar a juventude como classe social. Como diz meu filho Vitor, o rock estabeleceu a pedra fundamental da juventude, uma juventude com universo próprio, que não repetia mais os padrões dos adultos.

Como já disse algumas vezes, tive o privilégio de viver os anos 60 em geral e 1968 em particular com 18 anos, idade perfeita para se tornar adulto e num ano em que o mundo realmente se transformou. A juventude ocupou as ruas sonhando com a revolução. O amor tomou cota de todos os corações e mentes, a liberdade, o sexo, a irreverência, a criatividade, o prazer e a igualdade tomou conta de nossas vidas e ficou. Esses mesmos sentimentos permanecem hoje talvez não só como desejos jovens, mas como necessidades concretas de todas as pessoas.

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Ter vivido 1968 com 18 anos fez de mim uma pessoa melhor, tenho dito. E é verdade. Tecnicamente sou um idoso, mas emocionalmente continuo sendo aquele jovem artista que queria mudar o mundo. Muita coisa mudou e às vezes a gente esquece disso. A revolução foi feita, de outro modo, mas foi. Muita coisa andou pra trás, mas se formos contabilizar tudo que avançou, foi muito. Não me sinto frustrado. Talvez me sinta incompleto, mas isso é normal e é, na realidade, o que faz a gente não parar de tentar. Satisfeito ninguém fica totalmente, o que é bom.

Vamos continuar lutando para sermos sempre jovens, manter acesa essa chama que nos faz irreverentes, tolerantes, criativos e solidários. Sou pela paz, pela igualdade, pelo amor livre, pela música, pelo prazer, pela justiça e pelo amor. Não existe nada mais natural, nada mais jovem que isso.

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