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Adilson Roberto Gonçalves

Pesquisador científico em Campinas-SP

184 artigos

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Nós da imprensa

"Os editoriais experimentam um jogo de cintura que não possuem para justificar invasões e terrorismos quando lhes é de interesse"

(Foto: Mahmoud Illean)
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Ter uma especialização em jornalismo científico não me habilita a ser da imprensa, assim penso. Não me furto à crítica da parte de divulgação de ciência que se pretende, mas os nós da imprensa são muitos, mas não eu.

Ler as matérias dos jornalões da capital paulista é mais uma obrigação do que necessidade, uma vez que a informação aprofundada, a análise balizada e a crítica com conhecimento é encontrada facilmente alhures. Aqui, por certo. O financiamento do veículo também é muito importante. Por exemplo, em final de julho a Folha, altivamente, se voluntariou para divulgar os gastos governamentais com publicidade em seus veículos, mas informou apenas o dado oficial quanto à propaganda paga ao próprio jornal e não o quanto ela efetivamente recebeu. Seria um dado importante para saber se os valores são concordantes e o quanto de defasagem existe entre aporte e efetivo uso do recurso.

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Mesmo quando é para elogiar um dos expoentes da redação jornalística, a coisa não sai a contento. Em agosto foi bem apropriada a homenagem a Otavio Frias Filho, o falecido editor da Folha, por meio da matéria de Oscar Pilagallo. Eu avaliei que, além do resgate histórico daqueles dias de ebulição política das Diretas Já, foco principal do artigo, e da liderança de Otavio no processo editorial, segundo o autor, que sirva de exemplo para resgatar o papel plural e de defesa da democracia da Folha que foi ali plasmado. O comentário continha ironia na forma de falsa bajulação para ser publicado, mas nem assim foi.

Por fim, nesses tempos de guerras múltiplas, vemos que os editoriais experimentam um jogo de cintura que não possuem para justificar invasões e terrorismos quando lhes é de interesse, e jogar alguns fatos dentro de uma escala temporal para que lhes seja palatável ou mesmo escondê-los, se tais fatos não correspondem à tese.

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No caso da guerra da Ucrânia, Glenn Greenwald faz uma reflexão importante quanto a reais culpados e vítimas da guerra na Ucrânia em artigo para a Folha de S. Paulo (“Ucranianos morrem para satisfazer elite norte-americano pró-guerra”, 1/10). Falta uma abordagem mais geral e histórica para avaliar o que lá acontece, como o jornalista faz, desmistificando também o lado heróico do nazista Vlodomir Zelensky. Mas a voz de Greenwald é dissonante no jornalão. Lembrando ainda que na guerra a primeira vítima continua sendo a verdade.

Agora, com mais uma escalada na guerra Israel-Palestina, outros clamores se alevantam. O rótulo fácil de terrorista é o primeiro que aparece. Assim, a criação de dois Estados na Palestina parece algo cada vez mais distante. A engenharia política foi capaz de criar um deles há 75 anos, mantê-lo por meio das armas, expulsando a maioria palestina/árabe da região. A guerra atende a interesses de grupos bem específicos, não necessariamente os que estão em conflito direto. O comércio de armamentos cresce e outros atores fazem valer seus trunfos, tal como o petróleo. Além disso, há muitos terroristas para serem assim rotulados, não apenas o Hamas, como já estabeleceram os dois jornalões da capital paulista nesta semana.

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