Nos tiraram tanto que nos tiraram o medo

A contraofensiva não tem a articulação e armamento para enfrentar e vencer os golpistas, mas há de se fazer barulho humanitário por toda a América Latina, para levar a luta para uma arena civilizatória, de justiça social, onde os nossos direitos valem mais do que granadas deles

Nas calles chilenas o povo entoa “nos tiraram tanto que nos tiraram o medo.” Bolivianos, colombianos e equatorianos também estão nas ruas contra o inimigo comum, o neoliberalismo selvagem. A Argentina resolveu a questão em outubro nas urnas, os uruguayos decidem no domingo. E nós? O povo brasileiro deve ouvir o som das ruas que vem do Chile, ou apascentar-se diante de um desgoverno miliciano?

A extrema direita tenta avançar na América Latina como nas décadas de 1960 e 1970. Assim como a onda militar daquela época, o golpe não veio nos acordar com paus, microfones, vuvuzelas e trompetes; veio com armas que disparam balas de verdade. Os marqueteiros do presidente brasileiro souberam aproveitar a onda e fizeram um quadro com cartuchos de bala, com o logo do primeiro partido fascista com representatividade no país, o Aliança pelo Brasil, que tem o sugestivo número 38.

Na Bolívia, onde Che Guevara tombou em 1967 durante a guerrilha, os extremistas neopentecostais estão usando a bíblia como complemento e extensão das forças armadas. Com exceção do brasileiro que ainda toca apito, os povos latinos, historicamente, conseguiram a independência através de muito sangue em defesa de seus territórios, suas culturas e ideologias.

A história das lutas do povo brasileiro foi escrita, mas nunca foi contada na sala de aula. Nosotros travamos muitas batalhas que não encontraram caminho em nossas veias abertas, talvez por terem sido maquiadas dentro dos livros que criaram e ainda continuam criando heróis homens, brancos e ricos.

Obviamente a contraofensiva não tem a articulação e armamento para enfrentar e vencer os golpistas, mas há de se fazer barulho humanitário por toda a América Latina, para levar a luta para uma arena civilizatória, de justiça social, onde os nossos direitos valem mais do que granadas deles.

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