Num país de miseráveis, militares sonham com canhões e caças reluzentes para “festa” dos 200 anos da Independência

"Tem muito ainda a ser feito, antes de comprar vistosos caças e canhões. Aguardem a onda de saques e violência, que a fome e o desemprego provocarão", avalia a jornalista Denise Assis, sobre os planos dos militares para as comemorações da "Independência"

Independência ainda que tardia, e quão tardia!
Independência ainda que tardia, e quão tardia! (Foto: Luis Miguel Bugallo Sánchez)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

A dois anos da data em que o Brasil vai “comemorar” os 200 de sua independência (???) e aproveitando o 7 de setembro transcorrido em clima de pandemia, o portal “DefesaNet” – onde se expressam as lideranças das Forças Armadas -, teve a coragem de vir a público com um editorial em que externa a preocupação das fileiras militares com o que é que vamos mostrar aos vizinhos, naquela data (2022)?

Tal como as mães de moçoilas casadoiras das décadas de 1950/1960, que não se preocupavam com a felicidade das filhas, mas, sim, de que não ficassem “faladas”, para fazerem bons casamentos –  os militares já estão com os nervos à flor da pele, ansiosos com o que mostrarão para os “convidados” na festa, se não há recursos para comprar novos brinquedinhos vistosos para exibir. O que vão pensar de nós? Se perguntam, desde já, nervosos com a “reputação do país”. Que país? Que reputação?

É o caso de nos perguntarmos, onde pensam que vivem? Em que mundo estão? Dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em meados de agosto mostram um quadro aterrador do Brasil real. Com o desemprego em alta, a falta de experiência faz com que os jovens sejam os preteridos pelo mercado na escassez do número de vagas, foi o que atestou o Instituto.  Na faixa de trabalhadores entre 18 e 24 anos, a taxa de desemprego é mais que o dobro da aferida na população em geral. Enquanto a taxa geral ficou em 12,4% no segundo trimestre, entre os jovens esse percentual salta para 26,6%.

Isto, sem falar nos mortos pela Covid – 19, já rumo aos 130 mil. E ainda tivemos o PIB de 9,7% negativos, amargados no segundo trimestre deste ano. O pacote de arroz está sendo vendido nas capitais a prestação, tal o nível de carestia, e a carne virou miragem nas vitrines dos supermercados. As peças ficam lá, como peixes no aquário, expostas à visitação através do vidro, longe do alcance do bolso do freguês. Ainda assim, esses senhores fardados, que pouco fazem pelo país, a não ser esperarem uma guerra hipotética, ou migrar para gabinetes em Brasília, onde somam polpudos salários ao soldo, querem brinquedos vistosos para desfilar nos 200 anos de Independência (???) do Brasil.

A lenga-lenga foi publicada em editorial nesta segunda-feira, dia 7, fazendo uma estranha ressalva. Estranha porque foi o chefe deles que ajudou a plantar nas fileiras o ódio ao PT. Agora, quando querem “atacar” – ou seria “reivindicar”? – do novo “comandante-em-chefe”, o capitão expulso de suas fileiras, as tais melhorias, se lembram de fazer justiça aos governos progressistas do PT, mencionando as melhorias que lhes foram concedidas no período Lula/Dilma. Pois é. O país não estava à beira de uma “convulsão” por ter uma mulher (Dilma Rousseff) na direção? A liberdade de Lula não era um risco para a democracia? Agora, senhores, durmam com um barulho desses. E ao acordarem, preparem-se! Tem muito ainda a ser feito, antes de comprar vistosos caças e canhões. Aguardem a onda de saques e violência, que a fome e o desemprego provocarão. (Confiram na íntegra o singelo editorial da “milicada” à beira de um ataque de nervos).

Editorial DefesaNet

7 de Setembro de 2020 – Nada para se comemorar

Em dois anos Brasil deveria celebrar com uma grande Festa e uma Parada Militar Histórica os 200 Anos da Independência. Só que não.

Pela primeira vez na democracia brasileira nós temos oficiais formados nas prestigiosas Academias Militares ocupando altos postos da República. São pessoas altamente qualificadas, capacitadas para planejamento estratégico, habituados a fazer e executar planejamento e tomar decisões de Estado e não de governo. Pelo menos deveria ser assim.

O Brasil possui uma das maiores Forças Armadas da região. Elas são grandes em número e força; pequenas em capacidades e condições de ir à guerra, e até mesmo de dissuadi-la. Ainda hoje, essas Forças estão na Era do Aço, usam equipamentos dos primórdios da Guerra Fria quando não são refugos do final da Segunda Guerra, estando muito longe das capacidades mínimas para se travar e vencer o combate convencional moderno.

As poucas capacidades no estado da arte, como os VANTs da Força Aérea Brasileira são em quantidade tão pequena que meramente servem para criar doutrina operacional, com pouca ou nenhuma capacidade para serem utilizadas para apoiar o combate real.

Nossas Forças Armadas estão em situação de penúria, aguardando os tão sonhados investimentos e as promessas de campanha que não chegam. Nossos ministros militares, que quando vestiam a farda reclamavam da necessidade de investimentos, hoje quase nada fazem para ajudar no desenvolvimento de capacidade e na aquisição dos equipamentos necessários. Só reclamam como se não tivesse responsabilidade alguma. Tudo virou retórica e politicagem.

Como nossas fontes dizem, o Ministério da Defesa é acéfalo. O Ministro-General nada mais é do que um comandante de batalhão devido ao seu limitado poder e grau de decisão. O GSI do outro General nunca foi tão pressionado como agora e a cegueira da Inteligência de Estado ganhou notoriedade internacional nas palavras do próprio Presidente da República.

Na metade do Governo do Capitão Bolsonaro e do General de Exército Hamilton Mourão, Vice-Rei da Amazônia, a única coisa que se usa dos militares é sua imagem de retidão, confiança, profissionalismo e patriotismo. O resto é discutível.

Para uma nação ser grande ela precisa ter Forças Armadas modernas, fortes e bem preparadas e constituídas.  Todos os programas de novas capacidades das Forças Armadas, como o caça Gripen, SISFRON, KC-390, Submarinos convencionais e os programas de modernização foram heranças dos Governos do PT.  Até as Fragatas Tamandaré vieram do outro governo. Nada foi iniciado e executado no Governo Bolsonaro. E isso decepciona.

Governo Bolsonaro. O que é que quer mostrar na Parada Militar dos 200 anos da Independência, em 2022? Força ou Fraqueza? Quer demonstrar a grandeza do Brasil ou passar vergonha perante os convidados internacionais?

Desfilar orgulhosamente protótipos de velhos tanques Leopard1A5 modernizados? Escutar os roncos de caças cegos, surdos e sem garras? Mostrar Cascavéis de 50 anos para uma nostálgica lembrança de que um dia tivemos uma Base Industrial de Defesa?

Talvez seja mais recomendável organizar somente uma recepção no Itamaraty.

Se Bolsonaro e os militares do governo quiserem mostrar um mínimo de Poder Militar e Orgulho Nacional no Desfile de 7 de Setembro de 2022, precisam correr para poder adquirir equipamentos novos e modernos, veículos blindados de combate sobre rodas e Carros de Combate novos, helicópteros e aviões.

Dessa forma seria possível realizar uma demonstração de força e mostrar para o mundo que o Brasil tem um Governo comprometido com a defesa do seu povo e do seu território, com Forças Armadas capazes de garantir a soberania sobre tudo o que nos é mais caro; nossa Liberdade, assegurando assim outras tantas décadas ou quiçá séculos de Paz e Independência.

Do contrário, continuaremos a ser o que somos.  Um país que tem medo de mostrar sua força, e que não é mais respeitado nem pelos pobres e diminutos vizinhos, que já perderam o medo de desafiar essa grande nação que pode estar fadada a viver eternamente em “berço esplêndido”.

Como dizem alguns diplomatas estrangeiros em Brasília, “o Brasil é um país que só tem tamanho. Que seja assim”.

Será mesmo?

Presidente Bolsonaro, Vice-Rei da Amazônia Mourão, Ministros e Comandantes Militares. Está na hora de agir e de assumir as responsabilidades. Vocês serão reconhecidos pelo legado ou virem a ser cobrados e responsabilizados por sua omissão.

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