Num país disperso, Lula aponta o rumo da luta

"Agigantado numa conjuntura onde tantos se apequenam, Lula está de volta a cena e o país só tem a ganhar com isso", escreve Paulo Moreira Leite, membro da rede Jornalistas pela Democracia; "Sem nenhuma concessão aos carrascos que tiranizam o país afirma o compromisso com a luta em defesa das conquistas do povo porque 'não tenho o direito de baixar a cabeça'"

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Num país disperso, Lula aponta o rumo da luta (Foto: Ricardo Stuckert)


Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia

Num país em busca de um caminho para enfrentar a catástrofe em curso,  a entrevista de Lula a Monica Bergamo e Florestan Fernandes Jr é o ponto de partida para a reconstrução de uma nação em escombros,  dominada por um governo que em apenas 100 dias  confirmou a disposição de destruir séculos de progresso histórico.

Quebrando uma censura de um ano e três semanas, de grande utilidade para a consolidação de uma ordem política contrária aos interesses da nação e a vontade da maioria de seu povo, o depoimento de Lula é a grande carta de navegação para o país enfrentar as tempestades e turbulências do próximo período. Deve ser revisto, debatido, lembrado mais de uma vez, tamanha a força de seus argumentos, a urgência de suas idéias.

Para um país em dispersão Lula apresenta  unidade.

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Contra a paralisia da derrota,  oferece a memória das batalhas vitoriosas, indispensáveis para enxergar outro futuro como possível.  

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Diante das mesquinharias e dos ressentimentos que desorientam os vencidos, oferece a experiência e a generosidade.

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Num país onde espertalhões do mercado manipulam oligofrênicos que ocupam o Poder, mesmo atrás das grades Lula não perde contato com o Povo e conserva a visão clara de Nação. Tem noção de Estado, é capaz de enxergar as voltas da História e suas armadilhas. 

Defende o lugar do Partido dos Trabalhadores como um processo histórico, que lhe deu um papel único e uma força popular incomparável. Defende alianças e manda dizer a Ciro Gomes que está disposto a conversar com ele. Fez convite para uma visita à cela.

Cobra a responsabilidade de empresários que assistem em silêncio à destruição de uma das maiores economias do mundo. Perguntado sobre a Venezuela, fez um tributo a Hugo Chavez, não deixou de manifestar uma visão crítica sobre Maduro mas definiu princípios claros. Diante da intervenção estrangeira, a auto-determinação dos povos leva ao repúdio a Trump e rejeita o reconhecimento de Guaydo. Achou ruim? 

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Também perguntou aos militares a razão de tanto ódio ao PT, justamente o partido que mais investiu em equipamentos e modernização das Forças Armadas. Lembrou que não tinham dinheiro nem para pagar o rancho dos soldados em 2003, quando chegou ao Planalto. 

Sem nenhuma concessão aos carrascos que tiranizam o país depois de fazer dele Lula o grande refém de uma situação insuportável, afirma o compromisso com a luta, a luta e a luta, porque "não tenho o direito de baixar a cabeça".

Sempre foi assim. Em maio de 1978, ajudou a colocar a luta social dos brasileiros em novo patamar -- nas greves do ABC.

Em janeiro de 1984, foi o principal orador do primeiro comício do que viria a ser a campanha pelas diretas-já. Em janeiro de 2003, subiu a rampa do Planalto para inaugurar os mais bem sucedidos programas de desenvolvimento econômico e combate a desigualdade de nossa história recente. 

Em abril de 2019, agigantado num país onde tantos se apequenam, Lula está de volta ao jogo, ao nosso futuro. Separando o principal do secundário, diz que o país deve se mobilizar em defesa da Previdência. Deu idéias para pressionar parlamentares que já vendem o voto, chamou o povo para a rua. Ele mesmo, Lula. 

 Alguma dúvida?   

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