O acordo das urnas

Tudo vale para aprovar uma reforma trabalhista que esmaga as poucas defesas a que os trabalhadores têm direito? Ou a desumana proposta de tornar inalcançável o direito à aposentadoria para trabalhadores mais pobres? Ou, ainda, para manter os lucros financeiros frente à queda da produção? É esta sociedade excludente e profundamente desigual que pretendem impor ao povo brasileiro, pisoteando a democracia, com Temer no governo ou patrocinando um acordo dentro de um Congresso de baixa credibilidade e igualmente rejeitado pela população?

Brasília - Polícia Militar e manifestantes entram em confronto na Esplanada dos Ministérios durante protesto contra o governo do presidente Temer e reformas trabalhista e da Previdência (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - Polícia Militar e manifestantes entram em confronto na Esplanada dos Ministérios durante protesto contra o governo do presidente Temer e reformas trabalhista e da Previdência (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Pepe Vargas)

É lamentável o silêncio das entidades empresariais frente aos crimes comprovados de Michel Temer. Ouviu-se à exaustão o diálogo com o empresário corruptor. A gravação foi adulterada? Também suas declarações explicativas sobre o encontro furtivo, onde admite as narrativas ilícitas do interlocutor?

Este silêncio contrasta com o apoio ativo na deposição de Dilma Rousseff. Inadmissíveis os decretos de suplementação orçamentária, as “pedaladas ficais”, que embasaram a retórica do crime de responsabilidade de Dilma. Já os crimes de Temer, obstrução à justiça, organização criminosa e corrupção passiva, denunciados pelo Procurador Geral da República, não as sensibilizam.

Esta abstenção revela uma ética instrumental e um compromisso de ocasião com a democracia. Para implantar sua agenda – as reformas que retiram direitos dos trabalhadores e a política macroeconômica monetarista – ajudaram a derrubar a mandatária sem crime e eleita pelo voto popular, mas mantêm um silêncio ensurdecedor frente aos crimes nos quais foi flagrado Michel Temer, desde que ele faça andar a “agenda das reformas”.

Tudo vale para aprovar uma reforma trabalhista que esmaga as poucas defesas a que os trabalhadores têm direito? Ou a desumana proposta de tornar inalcançável o direito à aposentadoria para trabalhadores mais pobres? Ou, ainda, para manter os lucros financeiros frente à queda da produção? É esta sociedade excludente e profundamente desigual que pretendem impor ao povo brasileiro, pisoteando a democracia, com Temer no governo ou patrocinando um acordo dentro de um Congresso de baixa credibilidade e igualmente rejeitado pela população?

Não sem resistência. O que virá a seguir, uma nova ditadura? A saída da crise não é o acordo dentro do Congresso protegido por tropas militares. A estabilidade política e econômica só virá com a normalidade democrática. Só a legitimidade das urnas dará condições morais para um novo governo implantar medidas políticas, econômicas e sociais que pactuar com o povo no processo eleitoral.

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