O ajuste tático da direita

As ações golpistas da direita vêm sendo amplamente divulgadas e patrocinadas pela grande mídia conservadora, e de forma mais explicita agora, com o apoio das ações seletivas do judiciário

As ações golpistas da direita vêm sendo amplamente divulgadas e patrocinadas pela grande mídia conservadora, e de forma mais explicita agora, com o apoio das ações seletivas do judiciário
As ações golpistas da direita vêm sendo amplamente divulgadas e patrocinadas pela grande mídia conservadora, e de forma mais explicita agora, com o apoio das ações seletivas do judiciário (Foto: Thiago Pará)

A direita, logo após a derrota nas eleições de Outubro de 2014, decidiu por dois caminhos, que na prática se complementavam e convergiam para a derrubada do governo de Dilma Rousseff.

Por um lado, os parlamentares derrotados que permaneceram no parlamento, procuraram inviabilizar qualquer ação do governo, era a tática do "sangramento". Como afirmou Aloysio Nunes/PSDB-SP "não quero ver o impeachment, quero ver a Dilma sangrar". Era claro, procuravam , no parlamento, atacar todas as iniciativas do governo, chegando algumas vezes a "defender os trabalhadores" em discursos cínicos, hipócritas e vazios.

Por outro lado, nas ruas, os setores mais atrasados, conservadores e golpistas procuravam o convencimento da sociedade da necessidade imediata da derrubada do governo. Não havia qualquer mediação, tratava-se de impeachment. Chegaram mesmo a constranger os parlamentares da oposição, levando Roberto Freire/PPS-SP, a assumir publicamente esta posição e Aécio Neves/PSDB-MG ficar encolhido numa sinuca de bico.

É claro, por mais divergente que parecia ser estas duas vias, ambas convergiam para o golpe.

Recentemente, a ida da trupe de Aécio Neves à Venezuela, parece ter ajudado a reacender às aspirações golpista. Depois de uma aparente calmaria, na verdade um momento para avaliar como e por onde retomar o golpe, a direita brasileira volta à cena com posições golpistas.
Primeiro, os movimentos da direita como Movimento Brasil Livre, Vem Pra Rua e Revoltados OnLine, retomam as manifestações com dois ajustes precisos: a) convocam uma nova manifestação de rua para o dia 16 de agosto, a novidade aqui é a antecedência da convocação, diferente das vezes anteriores, procura-se maior tempo para mobilização; b) melhoram a pauta para atingir mais setores, a convocação para a manifestação passa a ser "contra o ajuste fiscal" e "não vamos pagar a conta do PT", mais popular que impeachment, ainda que este permaneça na pauta de reivindicação. Esperam com isso tornar mais massiva as intenções golpistas.

Segundo, a trupe parlamentar golpista, dá um passo a frente. Para quem antes não "cogitava dar passos antidemocráticos", volta numa feroz ofensiva. Primeiro com Cássio Cunha Lima/PSDB-PB, líder do seu partido no Senado, no dia 1 de junho, pede a "renúncia de Dilma". Na sequência, Ronaldo Caiado/DEM-GO, em estreia como articulista da Folha de São Paulo, prega abertamente "uma nova eleição", para as soluções do país. Por fim, na convenção do PSDB, que reelegeu Aécio Neves como seu presidente, temos uma série de pérolas golpistas, que vão desde a afirmação de FHC de que o "PSDB está pronto para assumir o país", até posições mais radicais como a de Carlos Sampaio/PSDB-SP.

Esse ajuste da direita, bem como suas ações desde o fim das eleições presidenciais passada, vem sendo amplamente divulgadas e patrocinadas pela grande mídia conservadora (leia-se Globo, FdSP, Estadão etc). E, de forma mais explicita agora, com o apoio das ações seletivas do judiciário.

Essas movimentações vão deixando mais claro as intenções golpista que estão em marcha. E ao mesmo tempo, vão deixando mais estreita a margem para romper com o cerco conservador de aniquilamento.

Para a esquerda, é cada vez mais urgente a construção de unidade, num espaço orgânico de debate e consolidação de um programa que mobilize as forças democráticas e populares, na sua grande maioria ainda em estágio de latência.

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