O amadurecimento político de Marília Arraes e das esquerdas no Recife

Tal amadurecimento político traz em si inegáveis qualidades de ordem individual, mas deve ser creditado decisivamente ao trabalho coletivo no qual ela se envolveu

Marília Arraes e Lula
Marília Arraes e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)
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Tive a oportunidade de entrevistar Marília Arraes para o programa Trilhas da Democracia em duas ocasiões num intervalo de quinze meses e posso dar o meu testemunho de que, entre setembro de 2019 e novembro de 2020, a deputada federal e hoje candidata à prefeitura do Recife pela Coligação Recife Cidade da Gente (PT/PSOL/PTC/PMB) demonstrou um considerável amadurecimento político.

Tal amadurecimento político traz em si inegáveis qualidades de ordem individual, mas deve ser creditado decisivamente ao trabalho coletivo no qual ela se envolveu e que resultou na construção de um programa de governo voltado a uma “efetiva inversão de prioridades” na capital pernambucana que é governada há oito anos pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), do atual prefeito Geraldo Júlio.

Ora, o amadurecimento político de uma pessoa que tem a pretensão de dirigir uma cidade complexa como o Recife passa necessariamente pela plena incorporação da ideia de que uma governança transformadora, comprometida com o combate a todas as modalidades de desigualdade, exige a expansão dos espaços de discussão coletiva com o maior número possível de sujeitos sociais e políticos.

Pois bem, a Marília Arraes que entrevistei recentemente parece ter absorvido essa dimensão coletiva da política que sua candidatura representa, da mesma forma que parece ter introjetado os elementos fundamentais e indispensáveis para que o Recife passe a ser governado de novo com base no ideal democrático de participação social e no princípio republicano da transparência.

Na verdade, e é muito importante que se ressalte isso, não foi apenas Marília Arraes quem amadureceu politicamente, mas, também, duas das principais forças políticas de esquerda na cidade, pois PT e PSOL recifenses conseguiram firmar uma aliança ainda no primeiro turno, uma aliança que não conseguiu ser realizada nos decisivos centros eleitorais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Com isso, o Recife pode se afirmar como um laboratório político para a efetivação de um novo projeto de cidade que priorize “as demandas da maioria da população, que é negra e periférica” e combata as desigualdades “estruturadas pelo racismo, o machismo e a discriminação de classe” (conforme os princípios do programa de governo de Marília Arraes), além de se afirmar como um importante exemplo para a construção de uma frente de esquerda que seja suficientemente capaz de derrotar a extrema direita bolsonarista nas eleições de 2022.

Porém, para que isso aconteça, inicialmente, é preciso que levemos Marília Arraes ao segundo turno, votando 13 no próximo dia 15!

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