O apedrejamento de Kataguiri

Lembro mais uma vez que a convivência entre as diversas formas de pensar é que faz a grandeza da nossa democracia, e ninguém é dono da verdade

Lembro mais uma vez que a convivência entre as diversas formas de pensar é que faz a grandeza da nossa democracia, e ninguém é dono da verdade
Lembro mais uma vez que a convivência entre as diversas formas de pensar é que faz a grandeza da nossa democracia, e ninguém é dono da verdade (Foto: André Granha)
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Caros leitores, completando a trilogia que trouxe para conhecimento do Movimento Brasil Livre (MBL), cedo esse espaço a Fernando Holiday, outro coordenador nacional do MBL, para responder as críticas a Kim Kataguiri, pois o mesmo, por ter contrato com a Folha, não pode nos escrever diretamente. Lembro mais uma vez que a convivência entre as diversas formas de pensar é que faz a grandeza da nossa democracia, e ninguém é dono da verdade.

Antes de qualquer coisa, ao escrever para o Brasil 247 – um dos blogs pelegos do governo – me sinto com uma vassoura tentando limpar um mar de lama. Mas, mesmo assim, aceitei o convite – surpreso, confesso, afinal, até os mais afetados pela cegueira ideológica petista têm o direito de saber o que acontece no mundo real.

“É preciso mais debate! Onde estão os jovens interessados em política?! Precisamos nos abrir para novas ideias e opiniões!”. Essa foi a pauta política da internet nos últimos tempos: pessoas reclamando da falta de questionamentos e de ideias novas. Eis que, em 2015, surge nas ruas uma nova juventude interessada em política. Mas, dessa vez, sem vidraças quebradas, paredes pichadas, máscaras ou bombas caseiras. Eram jovens comuns com ideias novas que também atraíram adultos e idosos. Começava ali uma renovação no modo de se fazer política.

O tempo passou, muita coisa aconteceu e, agora, um dos jovens que se destacou naquele ano – depois de incomodar muitos que pensavam serem os donos da verdade – foi muito criticado por alguns.

Kim Kataguiri não foi criticado porque não sabe defender suas idéias, pois ele sabe – e muito bem, por sinal. Ele não foi criticado porque desistiu de tudo que pregava em 2015, afinal, ele continua a lutar pelas mesmas bandeiras. A crítica chegou porque todas as ideias que ele defende chegarão a mais pessoas. Kim se tornou colunista da – sempre suspeita – Folha de S. Paulo.

Na base do Caps Lock, muitos se indignaram. Jornalistas ressentidos, feministas radicais, alunos da FFLCH, petistas descontrolados e afins dizem que é um absurdo, um escárnio! Por quê? ”Ora, ele tem 19 anos. 19!” (Já dizia um certo deputado). Mas e suas ideias? E o seu histórico de artigos já escritos? E o fato da Revista Time tê-lo considerado um dos jovens mais influentes do mundo? “Não importa! Ele é um ultradireitista, não merece espaço. Onde estão as pedras? Joguem!”

Francamente, deveriam se envergonhar. Triste país onde apenas uma visão de mundo domina o campo das ideias. Triste também aqueles que pensam não ter mais nada a aprender. Triste aqueles que vivem no mundo de sites como este, que vivem de ilusões sustentadas por um governo corrupto e de tendências totalitárias. Kim vai escrever para Folha e vai propagar suas idéias sim. E cada vez mais pessoas poderão – tendo conhecimento – formar suas opiniões de maneira embasada.

Caros críticos de Facebook, favor procurar motivos decentes antes de fazerem seus comentários. Aos recalcados, desejo sucesso. Talvez assim abandonem essa vida de amargura. A quem me abriu espaço nesse ninho de perdição, por ora, agradeço.

Fernando Holiday, coordenador nacional do MBL

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