O auxílio emergencial e a encruzilhada de Bolsonaro

Até quando Bolsonaro conseguirá manter uma conciliação desses dois interesses sem romper com um dos lados? Se suspende o auxílio, rompe com a base popular. Se mantém o benefício, rompe com a burguesia representada por Paulo Guedes

(Foto: AGÊNCIA BRASIL)
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Numa luta, é preciso descobrir o ponto fraco do adversário para ali golpeá-lo e lhe impor prejuízo sério que possibilite sua vitória sobre ele. O que é o fator do auxílio emergencial de 600 reais para Bolsonaro? É ao mesmo tempo um ponto forte e um ponto fraco. É forte pois lhe permite apoio popular. E é fraco pois sua manutenção o coloca em desacordo com a burguesia. Até quando Bolsonaro conseguirá manter uma conciliação desses dois interesses sem romper com um dos lados? Se suspende o auxílio, rompe com a base popular. Se mantém o benefício, rompe com a burguesia  representada por Paulo Guedes. Bolsonaro está chegando numa encruzilhada, é hora de concentrar forças para o empurrar ao abismo. 

Vários analistas têm repetido a importância do auxílio emergencial de 600 reais para impulsionar o apoio do presidente. Mas pouco têm se falado da dificuldade de manutenção desse benefício para além de setembro, quando foi anunciada sua última parcela. Essa concessão foi engolida temporariamente por Paulo Guedes e incorporada malandramente por Bolsonaro que se mantém em cima dessa chuva de dinheiro  na população. Mas essa concessão têm um limite. Mantê-la a longo prazo exigiria uma repactuação da política econômica brasileira. Os neoliberais vão topar?

Manter o auxílio emergencial a longo prazo exigiria colocar o Estado como indutor da economia. Isso fere a lógica neoliberal da elite brasileira e também os interesses do imperialismo, que não quer esse nível de autonomia de um país colônia no quintal do Tio Sam. Bolsonaro vai encarar essa briga? Vai peitar a burguesia? Vai peitar os patrões de Paulo Guedes, sendo que se elegeu tendo essa figura como seu fiador? A hora é de bater nessa fragilidade e tomar de volta a bandeira que malandramente foi roubada por Bolsonaro e que ele não conseguirá sustentar por muito tempo. A bandeira da renda mínima universal que hoje se traduz no auxílio emergencial. 

É pior que não dar um benefício a atitude de dar e depois tirar. O efeito da suspensão do auxílio emergencial seria desastroso para Bolsonaro. É preciso incidir nessa luta, municiando a bandeira da manutenção desse auxílio. Os interesses populares são genuinamente defendidos por aqueles que aprovaram esse benefício na Câmara. Bolsonaro surfou nessa onda, mas não consegue se manter por muito tempo sem ter que escolher seu lado, que é como capacho dos patrões de Paulo Guedes. 

No dia 11 de agosto, o presidente da Câmara Rodrigo Maia anunciou uma “conversa franca com o ministro Paulo Guedes” onde pactuou o consenso de que “não haverá jeitinho nem esperteza para desrespeitar o teto de gastos”. Paulo Guedes disse claramente nessa reunião: “se nós tentarmos no ano seguinte a esse ano, que foi excepcional, seguirmos com o padrão de gastos, vamos levar o país ao caos”. E asseverou o recado de seus patrões: “Os conselheiros do presidente que estão aconselhando a furar o teto, vão levar o presidente para uma zona de incerteza”. O recado é claro, foi um ultimato a Bolsonaro para abandonar o auxíilio emergencial. Está mais do que na hora de recuperar essa bandeira que é nossa. 

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