O azarão perde a corrida
Mesmo diante de uma parte da sociedade que privilegia bravatas, não há motivos para crer em surpresas
Chama a atenção a desfaçatez (ou o despreparo) como se apresenta um dos candidatos na atual corrida presidencial. Numa circunstância assim, imagina-se que a pessoa anuncie propostas para um país, como o nosso, tão cheio de carências. O adversário já demostrou que possui o que dizer. Dispõe de um currículo de três mandatos com programas em favor dos desprivilegiados. Afinal, Estado também existe para as medidas de socorro, enquanto, por outro lado, tentam-se os projetos de desenvolvimento e riqueza... Ao mesmo tempo, encontrar um postulante que se limita a ser filho de alguém, com claras estreitezas de espírito, apenas para agradar e defender a família, soa como absoluta insuficiência.
Somam-se agora detalhes que mesmo os desavisados e pouco cuidadosos não dão a impressão de minimizar. Falava-se, até então, em “rachadinhas”, em ligações com a milícia assassina – e uma residência de luxo, adquirida com recursos inexplicáveis. No entanto, contatos com um banqueiro renegado, aquinhoado com recursos públicos de aposentadorias, atrás de milhões, ultrapassa as medidas. O azarão começou a perder a corrida. Posto à prova diante das câmaras de TV, balbuciou justificativas inconvincentes, recheadas com negações logo substituídas por mentiras caudalosas. E as ideias para os problemas ansiosos por soluções? Não improvisou nenhuma.
Nem passava perto de assuntos como educação e saúde! No primeiro caso se imagina ser contrário ao ensino público. No segundo, a julgar pela administração de Cláudio Castro, aliado do partido e do peito, o que se andou fazendo é de arrepiar. Socorrer doentes não constitui um talento da família. Lembremos da Covid-19 e das reações de Jair, quando mandava e desmandava, dizendo não ser coveiro.
Nos sistemas democráticos é habitual que “azarões”, figuras inesperadas fora do âmbito dos quadros consagrados, despontem às vezes como favoritos. Despertam preocupações pela ausência de antecedentes. Discussões diante dos eleitores ajudam a esclarecer as dúvidas e firmar posições. Agora, trata-se de um Senador. Um parlamentar, entretanto, medíocre, provando-se pouco menos do que inútil depois de longa permanência no Congresso, para não mencionar o que fez (ou não fez) como deputado estadual. Não dispõe de cacife para enfrentar Luís Inácio Lula da Silva. A indigência de um, contrasta com a dignidade do outro. Salta aos olhos. O primeiro há tempos nada em dinheiro de origens suspeitas; o segundo, filho de mãe analfabeta, aprendeu na vida a perseverar e dobrar o Destino. Desenvolveu-se por brilho pessoal na academia dos fatos, lendo e cultivando cultura até se transformar num homem de saber. Alguma dúvida?
Mesmo diante de uma parte da sociedade que privilegia bravatas, não há motivos para crer em surpresas. Os que sujaram as mãos, que se recolham. Melhor que aguardem as investigações policiais. Há espaço para eles nos departamentos prisionais. Lá os azarões correm à solta. No próximo 4 de outubro, compareceremos às urnas, conscientes do que escolher.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

