O Bloco Histórico no Poder

Se retirarem a presidência de Bolsonaro, a entregarão a Mourão. Seis por meia dúzia, ou um capitão por um general. Portanto, pensar o impeachment de Bolsonaro é uma luta vã para os interesses do povo brasileiro. Pode ser pior com Bolsonaro, mas não significa que haverá vantagem para nós brasileiros com Mourão

O Bloco Histórico no Poder
O Bloco Histórico no Poder (Foto: Valter Campanato - ABR)

O Bloco Histórico no poder – vamos usar a conceituação de Gramsci para a felicidade dos bolsominions – é composto por empresários, donos de mídias, políticos, juízes, promotores, policiais e militares. Heterogêneo, mas unido pela espinha dorsal da pertença de classe, ou por serem serviçais do poder. Eles são os dominantes na história do Brasil através dos séculos. De forma humilhante, todos colonizados pelos senhores do Norte.

Se retirarem a presidência de Bolsonaro, a entregarão a Mourão. Seis por meia dúzia, ou um capitão por um general. Portanto, pensar o impeachment de Bolsonaro é uma luta vã para os interesses do povo brasileiro. Pode ser pior com Bolsonaro, mas não significa que haverá vantagem para nós brasileiros com Mourão.

A troca de ministros também pouco interessa. Saiu Vélez e entrou Weintraub. Alguém poderia dizer qual é o pior?

As figuras mais nefastas desse governo são Guedes e Ricardo Salles. Guedes porque capitaneia os interesses do capital financeiro. Além de Temer, aquele que destruiu a legislação trabalhista e agora está preso, Guedes destrói a proteção social dos brasileiros de uma forma sem precedentes em nossa história. Ele é o capital na sua mais pura racionalidade financeira, sem coração e sem alma. Não importa o país, o povo, os mais indefesos, interessa somente a acumulação instantânea do capital financeiro pelas privatizações e destruição da legislação social, inclusive a previdenciária.

Porém, num período histórico longo, o povo brasileiro pode reconquistar seus direitos. A perda será tão terrível, e tão sentida daqui a alguns anos, que as mobilizações voltarão pela reconquista de direitos, assim como acontece no Chile de hoje, que representa o Brasil de amanhã.

Pior é Ricardo Salles. Ele abre todas as portas e janelas para a destruição do meio ambiente. Privatizando as reservas e parques nacionais, abrindo os territórios indígenas para o agronegócio, isentando o capital de qualquer responsabilidade ambiental, como é o caso da Vale do Rio Doce no caso de Brumadinho.

Acontece que a destruição da proteção social e trabalhista pode ser reconquistada, mas a destruição de biomas como a Amazônia e Cerrado não tem mais volta. A Amazônia por ser toda interligada – inclusive por baixo da terra, pelas raízes - e pode cair literalmente por terra quando o desmatamento atingir 20% do bioma, assim como nos advertem os cientistas. Já o Cerrado, por ser o bioma mais velho da face da Terra, não tem poder de regeneração.

Acontece que a Amazônia, por seus rios aéreos, nos oferece a chuva que cai em grande parte do território nacional, indo até Uruguai, Argentina e Paraguai. Já o Cerrado é o grande reservatório dessas águas, que depois as distribui por praticamente todas as grandes bacias brasileiras. Sem a Amazônia e o Cerrado não existirá o Brasil tal e qual o conhecemos.

Então, podemos trocar as peças do Bloco Histórico no poder, mas de nada adiantará nosso esforço, enquanto esse bloco predador e destrutivo estiver no comando do país.  

As resistências do momento são contra a reforma da previdência de Guedes, o Pacote que legaliza a eliminação dos pobres-negros-indesejáveis de Moro, contra os cortes na educação de Weintraub e contra a supressão das leis que protegem o meio ambiente de Ricardo Salles.

Na contramão, deveremos reforçar todas as lutas socioambientais e políticas que vierem de baixo, assim como pede o Papa Francisco. Ele insiste que mudanças virão de movimentos sociais, dos povos originários, daqueles que foram descartados, mas que preservaram o que há de bom em termos ambientais, sociais e humanitários para os tempos atuais. Para tal, já convoca um debate global sobre uma nova economia para 2020. Esse campo é nosso, esse campo é vasto e fecundo.

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