O bolsonarismo é uma obra coletiva

"Como a construção da cidadania é fruto de obra coletiva, o governo Bolsonaro também não é obra de um homem só. É o resultado da aliança do que há de mais reacionário na sociedade brasileira", escreve Robson Sávio Reis Souza

Jair Bolsonaro durante desfile cívico por ocasião do Dia da Pátria
Jair Bolsonaro durante desfile cívico por ocasião do Dia da Pátria (Foto: Alan Santos/PR)
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Num país (historicamente) estruturado na violência, racismo, misoginia, desigualdade e desprezo pelo público, o pouco que existe na área dos direitos e da igualdade foi conquistado com lutas e engajamento político de grupos comprometidos com a democracia de fato (e não com essa democracia meramente procedimental - mantenedora de múltiplas exclusões  - alicerçada, ultimamente, no autoritarismo neoliberal). 

Como a construção da cidadania é fruto de obra coletiva, o governo Bolsonaro também não é obra de um homem só. É o resultado da aliança do que há  de mais reacionário na sociedade  brasileira. Uma coalizão, heterogênea, que envolve empresários e militares; banqueiros e agronegócio; corporações judiciais, da mídia, da medicina, entre outras; predadores da natureza (madeireiros, mineradoras, latifundiários) e da cultura; fundamentalistas religiosos (católicos, evangélicos, judeus). Esses grupos (de apoiadores de Bolsonaro e aderentes de ideologias  reacionárias, portanto para além de Bolsonaro) estão ancorados e conectados, neste momento político, em estratégias de guerra híbrida. Utilizam, entre outras ferramentas, as redes sociais para engajamento político e se articulam com grupos internacionais da extrema-direita direita global

Portanto, além dos 20% de apoiadores fidelizados (muitos fascistas desde sempre), é importante reconhecer que Bolsonaro goza da parceria com outros setores organizados e mobilizados em vários nichos sociais. 

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Uma das estratégias mais conhecidas das guerras híbridas é provocar a divisão social e a mobilização constante das massas através de fake news e temas com apelo moral, sexual, religioso. Capazes de provocar grande aderência das mentes e corações das pessoas, as fake news e os temas morais e religiosos são excelentes estratégias para engajamento de grupos radicais e a distração geral da opinião pública, enquanto "a boiada (da destruição das políticas públicas, demolição da credibilidade das instituições e erosão das bases de solidariedade social) vai passando".

Por isso, um dos maiores desafios das lideranças progressistas nos dias atuais deveria ser na mobilização popular, com vistas na articulação de amplos segmentos sociais à defesa dos temas políticos que realmente importam.

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"Proletários de todos os países, uni-vos!”, conclamaram Marx e Engels no Manifesto Comunista de 1848. Esse apelo proferido para união da classe trabalhadora nunca esteve tão vivo e necessário como nos dias atuais, para aqueles que desejam reconstituir  um Brasil democrático.

Não nos iludamos. O bolsonarismo é uma obra coletiva. E é dessa forma, e com estratégia eficiente, que deve ser enfrentado.

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Oportunismo eleitoral, disputa interesseira de narrativas e diversionismo político em redes sociais corroboram às fraturas já existentes no campo popular. É preciso união e liderança para a construção de ampla coalizão democrático-popular capaz de derrotar Bolsonaro e, no mínimo, enfraquecer o bolsonarismo.

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