O BOPE está “inspirando” policiais franceses

Em Marselha, no bairro Maison Blanche, as imagens de uma operação policial mostram um oficial com o logo do BOPE. Seria interessante reportar à tal prefeitura a última ação do batalhão, que não para de cometer crimes contra a humanidade

No início desta semana, o Libération, importante jornal francês de centro-esquerda, e Jean-Luc Mélenchon, líder do movimento France Insoumise que esteve, aliás, com Lula e Haddad em Curitiba nesta última quinta-feira, denunciaram um policial francês portando um logo do BOPE, numa ação aparentemente realizada em Marselha. Sim, um logo do BOPE estampado num colete à prova de balas de um policial francês!  

Mélenchon declarou em seu Twitter: “Estupor. Em Marselha, no bairro Maison Blanche, as imagens da operação policial de ontem mostram um oficial com o logo do BOPE, um batalhão de polícia militar do Brasil notadamente criticado pela Anistia Internacional por ataques aos direitos humanos.”

De acordo com o Libération, vários leitores contactaram o jornal por causa da foto publicada por Mélenchon assim como por conta de um vídeo que circulava no Youtube evidenciando o mesmo episódio. 

O serviço de informação e de comunicação da polícia nacional francesa (Sicop) confirmou que a pessoa é, de fato, um policial que trabalha para a polícia judicial. O vídeo foi registrado durante uma intervenção que aconteceu no dia 28/08 relacionada ao tráfico de drogas na região. Quanto ao logo desta força de “elite” brasileira, o Sicop indica que um relatório administrativo de explicação foi cobrado ao agente, que poderá sofrer sanções caso se confirme que o uso de tal adereço foi voluntário. Nesse sentido, o regulamento geral da polícia nacional francesa proíbe o porte, nas vestimentas dos agentes, de todo elemento, sinal, insígnia relacionados com uma organização política, sindical, confessional ou associativa. 

Ainda segundo o Libération, essa não foi a primeira vez que o jornal constatou o símbolo do BOPE sendo usado por um policial na França. No dia 2 de agosto, um agente à paisana foi filmado durante uma manifestação em que se exigia o fim da violência contra as forças de ordem. Que ironia, leitores! Um policial que porta o logo do BOPE exigindo o fim de algo que o próprio BOPE propaga sem parar, todos os dias, à perfeição. 

O que diferencia este caso do outro ocorrido em Marselha é o fato de que o agente desta vez não estava em serviço, não portava a insígnia sobre um uniforme. A prefeitura de polícia de Paris argumentou ao Libération que “a insígnia não gerava problemas, uma vez que, a bem da verdade, o policial não desrespeitava o artigo 645-1 do código penal francês. Este artigo, que não abrange apenas os funcionários de polícia, pune com multa o fato de uma pessoa portar ou exibir em público um uniforme, uma insígnia ou um emblema que lembre os uniformes, as insígnias ou emblemas que foram usados ou exibidos tanto por membros de uma organização tida como criminosa quanto por uma pessoa reconhecida culpada por uma jurisdição francesa ou internacional de um ou vários crimes contra a humanidade.” Segundo a mesma prefeitura de polícia de Paris, o BOPE não se encaixaria neste tipo penal. Pura camaradagem autoritária e repressiva de forças nefastas e violentas. Uma piada pronta.  

Seria interessante reportar à tal prefeitura a última ação do BOPE de que tenho notícia a fim de esclarecer o fato de que o BOPE é sim uma organização que não para de cometer crimes contra a humanidade. Pois bem, mais um autêntico retrato da covardia que paira nas forças repressivas do Estado brasileiro: também nesta semana, o caveirão não deixou pedra sobre pedra ao entrar na Cidade de Deus. Numa suposta operação de combate ao tráfico, o BOPE fez a “limpa” nos barracos da comunidade, destroçando-os. As indagações são muitas. Qual é o real motivo para varrer os barracos e as pessoas da Cidade de Deus? Grilagem? Construção de prédios, sem autorização, pela milícia? Guerra (há muito) não declarada contra a população pobre, preta e favelada? A verdade é que o BOPE é um agente das forças mais obscuras e retrógadas do Brasil e agora anda fazendo escola mundo afora, inspirando mentes autoritárias e protofascistas. Antes fosse só cinema e Capitão Nascimento. “O buraco é mais embaixo, parceiro.” 

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