O “boulismo” vem aí?

"Acabou a eleição, chegou a hora do balanço. E um dos temas em discussão é Boulos", afirma o historiador Valter Pomar

Guilherme Boulos
Guilherme Boulos (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)
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Acabou a eleição, chegou a hora do balanço.

E um dos temas em discussão é Boulos.

Do PIG à fração do teclado vermelho, quase todo mundo opina a respeito.

Há os críticos, mas também há quem cometa frases do tipo: “Boulos se consolida como a principal liderança de sua geração. Dirigente forjado nas lutas sociais e de sólida formação marxista, é a figura público do campo progressista que mais saiu reforçada das eleições municipais”.

Não sei o que Boulos pensa a respeito do que escreveram Altman e outros.

Quer dizer, não sabia até ontem, quando recebi o seguinte convite.

Cheguei a pensar que fosse uma iniciativa individual de alguém emocionado pela opinião acima transcrita.

Mas não era, como se poder confirmar no Instagram do próprio Boulos.

Lá está escrito: “... se voce quer se organizar com Boulos e esse projeto coletivo, participe com a gente...”.

“Projeto coletivo”?

Será a Frente Povo Sem Medo?

Será o PSOL?

Será o MTST?

Ou li direito o que está escrito e a ênfase estaria no “organizar com Boulos”?

Se for, será mais uma ironia da história: depois de anos acusando o PT de rendição à institucionalidade, aos processos eleitorais e ao personalismo, setores importantes da esquerda estariam trilhando o mesmo caminho, num contexto muito pior e com menos chances de êxito.

Uma demonstração exemplar deste remake está num texto divulgado recentemente pelo companheiro Milton Temer, de onde extraio o seguinte trecho:

“NA PERSPECTIVA de uma luta anticapitalista no Brasil, não é uma ruptura insurrecional que vai levar a esquerda ao Poder. É a disputa presidencial. É o único momento político em que, do gaúcho do Pampa ao extrativista da Amazônia, todos se concentram na discussão sobre modelo de sociedade. ELEGER UM PRESIDENTE que não traia compromissos programáticos nem se entregue à conciliação de classes é o caminho mais factível para a abertura de possibilidades de avanços realmente transformadores da estrutura social perversa em que sobrevive nosso povo”.

Como tudo seria mais fácil, se os descaminhos da esquerda pudessem ser explicados com base na (suposta) “traição” dos líderes.

Como seria fácil se a esquerda pudesse chegar ao “poder”, através de uma eleição presidencial.

Como seria fácil, se pudéssemos resolver nossos problemas organizativos, criando movimentos “coletivos” em torno deste ou daquele indivíduo.

Mas não nos precipitemos: talvez sejamos poupados deste 8 pela “sólida formação marxista”...

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