O Brasil atual está na tela de Coringa

"Está lá a revolta surda, prestes a explodir em barbárie. Até que explode. Tudo isto conduzido por um ator que se vira do avesso, se transforma em garça, em águia, em urso, em clown. O clown que somos diariamente, a esperar por dias melhores. Coringa é imperdível!", escreve a jornalista Denise Assis

(Foto: Divulgação)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia

O Coringa é o filme do momento. E o momento é o Coringa do filme. Além de ser uma interpretação acachapante, a do ator Joaquin Phoenix, (prontinho para o Oscar) o filme é tão soco no estômago, que é impossível ficar imune à realidade esfregada na cara da plateia.  

Estão lá os garotos perversos que esculacham o trabalhador do piso do último andar da cadeia produtiva. Os “rebeldes” que botam fogo nos mendigos na madrugada fria.  

Coringa é o filhote do “empreendedor”, que já é um pária. Estão lá na tela os riquinhos, que depois do chopinho de sexta se esbarram com o homossexual e resolvem surrá-lo, quebrando suas costelas, largando-o vomitando sangue na calçada.  

Está lá o político cínico, hipócrita, rico, asséptico, distante e demagogo. Estão lá as mulheres desesperadas, marginalizadas, que arcaram sozinhas com a criação dos filhos e de tão subjugadas pela responsabilidade, abrem mão da vaidade em nome da sobrevivência.  

Está lá o caso do filho bastardo que cresce longe do pai, milionário. Aquele mesmo homem que faz chantagem com a mãe para que ela jamais “abra o bico”, ainda que para isto tenha que forjar um laudo de laboratório, atestando que o filho não é dele. E quem não conhece história semelhante?  

Não falta o apresentador de TV bem penteado, que entra saltitante no palco, para se colocar acima do seu público.

Estão lá os afeitos ao bullying, os que levam a pessoa à loucura e quando ela está contra a parede, apontam o dedo. A maluca é a pessoa, que não resistiu à pressão e revidou. “Malvada”!

Está lá a falência do sistema, os cortes sociais, o desemprego, a violência crescente dos premidos pela necessidade de se agarrar às franjas da sociedade. Mais um pouquinho de degredo e o cara cai da borda do “Estado”. Sobra, como é o sonho dos liberais. O mundo é para os fortes, limpinhos e resilientes.

Está lá a revolta surda, prestes a explodir em barbárie. Até que explode.  Tudo isto conduzido por um ator que se vira do avesso, se transforma em garça, em águia, em urso, em clown. O clown que somos diariamente, a esperar por dias melhores. Coringa é imperdível!

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