O Brasil desimportante

O País tem um governo não apenas alinhado, mas absolutamente submisso ao Banco Mundial; uma população majoritariamente despolitizada e alheia ao que está acontecendo; uma esquerda e os sindicatos suficientemente demonizados

(Foto: Carolina Antunes - PR)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

A economia brasileira não caminha a passos largos para o seu exaurimento e, consequente, colapso, porque está estagnada. Os golpistas sabem que devem mantê-la parada porque ela tem todas as competências e voltará a crescer, nas mãos de um(a) estadista. É necessário aos entreguistas que o processo seja feito de maneira que a sociedade apoie abrir mão de seus recursos energéticos e empresas estratégicas, para o bem do desenvolvimento de outros povos. A paralisia industrial é uma política que favorece quem almeja algo maior, se apossar da soberania nacional. Estes sim, os verdadeiros parasitas do Brasil, dos quais faz parte o ministro da Economia, Paulo Guedes. Os bilionários brasileiros ficam mais ricos com a miséria do Brasil. Financiam políticos para aprovarem seus interesses, como a reforma da Previdência, por exemplo.

O processo de paralisia de uma das 10 maiores economias do mundo começou quando o candidato derrotado às eleições, de 2014, jurou a democracia de morte. Em seguida ao golpe, de 2016, a primeira medida de Temer foi editar a EC95, que impede o Estado de cumprir o seu papel de indutor da economia, permitindo a ele, única e exclusivamente, pagar juros ao mercado financeiro. Sem investir em obras de infraestrutura, escolas, laboratórios, programas de transferência de renda e de riqueza, entre outras áreas de competência do Estado, não há desenvolvimento. O Brasil é dotado de empresas competentes, referências internacionais, superavitárias, que podem retomar o desenvolvimento econômico do Brasil, com programas como o Minha Casa Minha Vida, da CEF, que distribuiu riqueza a mais de quatro milhões de famílias e lucrou, em 2019, apesar dos cortes sofridos, cerca de R$ 650 milhões.

Para o mercado financeiro, o momento histórico é o ideal para se apossar da soberania do Brasil. O País tem um governo não apenas alinhado, mas absolutamente submisso ao Banco Mundial; uma população majoritariamente despolitizada e alheia ao que está acontecendo; uma esquerda e os sindicatos suficientemente demonizados. A alienação social e o vilipêndio aos partidos de esquerda e aos espaços de organização da classe trabalhadora são mantidos por uma imprensa que existe a serviço dos bancos, apenas. Recentemente, um decadente jornal de São Paulo, vociferou seu ódio de classe contra o protagonismo político de Lula, conquistado com mais de 40 anos de luta em defesa da classe trabalhadora e do Brasil, e não construído midiática e artificialmente, como um caçador de marajás, ou patriota de outras nações.

Ao capitalismo estático e improdutivo vale qualquer coisa para se apossar de um país como o Brasil. A ele pouco importa fechar dezenas de milhares de indústrias de transformação, gerar 50 milhões de trabalhadores informais, “pois”, como diz a música: “assim se ganha mais dinheiro”. Esse é o pensamento do verdadeiro parasita brasileiro, que aumenta a sua fortuna em dezenas de bilhões de reais, em um ano, sem produzir um sabonete. É lamentável assistir a industriais cuja renda não era outra senão a produção da sua empresa, fecharem as portas depois de acreditarem nas mentiras proferidas por uma imprensa que tem ódio do Brasil e não se importa se ele se transformar em um país desimportante. O Brasil possui um jornalismo que não explica para a sociedade que a China e os EUA, quando compram empresas brasileiras, vão gerenciá-las conforme os seus interesses, em detrimento dos brasileiros.

É simplesmente isso o que está em jogo, a soberania do Brasil e dos brasileiros. E não importa quanta miséria ainda cause, o capitalismo estático não vai parar enquanto não vir esta nação de joelhos, para o regozijo de seus indecentes e exorbitantes lucros. Com o simulacro ou não de democracia, a agenda da ultradireita está posta e não cederá com indignadas manifestações virtuais e cirandas em praça pública. A classe trabalhadora deve se inspirar na corajosa e organizada luta dos petroleiros, que resistiram e conquistaram o reestabelecimento de uma agenda de negociações contra mil demissões diretas e o fatiamento da Petrobras para a sua posterior venda. Numa sociedade politizada, como a da Finlândia e onde não há escolas privadas, seria impensável um governo vender as empresas finlandesas e suas reservas de petróleo. O governo e os parlamentares entreguistas que não têm compromisso com o Brasil suprimem a soberania nacional porque sabem que a sociedade não reage.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247