O Brasil é o país da inclusão, não do ódio

Neste momento grave da vida do país, o diálogo e a serenidade são fundamentais para preservar e promover a democracia. Mas a hostilidade e o desrespeito são cada vez mais frequentes e colocam em risco a democracia e a paz social que tanto lutamos para conquistar

Neste momento grave da vida do país, o diálogo e a serenidade são fundamentais para preservar e promover a democracia. Mas a hostilidade e o desrespeito são cada vez mais frequentes e colocam em risco a democracia e a paz social que tanto lutamos para conquistar.

Infelizmente, foi isso que presenciamos durante a audiência pública que realizamos na Assembleia Legislativa para falar sobre a situação dos imigrantes e sua inclusão em políticas públicas. Totalmente alheios à problemática dessa gente, algumas pessoas foram lá apenas para proferir insultos intolerantes, preconceituosos, racistas, xenófobos e classistas, além de assuntos que sequer faziam parte da pauta. Total falta de respeito com os representantes das comunidades de haitianos, sírios e latino-americanos e todos os participantes do evento. Ruim este tipo de atitude por quem se diz lutar por um país melhor.

Felizmente, mesmo com todo este incômodo e desrespeito, conseguimos prosseguir e concluir a audiência. Todos falaram e manifestaram suas propostas, que agora serão encaminhadas formalmente às respectivas instâncias do poder público.

Ainda mais triste, foram as manifestações de ódio contra os sem-terra. Ao invés de palavras de solidariedade e conforto pela morte de dois trabalhadores, muitas pessoas aproveitaram o momento para atacá-los, chamando-os de vagabundos, violentos, bandidos e pior, lamentando o fato de terem matado apenas dois.

Estive no assentamento e posso garantir que é feito de gente trabalhadora. Homens e mulheres sofridos pela caminhada da vida, pobres, simples, que carregam a esperança de ter um pedaço de terra para viver com dignidade com suas famílias. Pessoas solidárias na dor e na luta, que guardam sonhos como todos nós, e lutam por eles!. Não são bandidos, arruaceiros ou violentos.

As manifestações de ódio e desrespeito que presenciamos nesses dois episódios não têm justificativas. A perda do referencial do respeito, da fraternidade e do bem comum é algo muito perigoso. Vivemos em uma democracia, onde as pessoas têm o direito de criticar, de se expressar, mas jamais partir para o insulto, a agressão. Não é isso que constrói, o que constrói é o respeito, o diálogo.

Apesar de tudo, tento entender o porquê dessas pessoas agirem assim. Além de não terem vivenciado lutas democráticas, são bombardeadas todos os dias, centenas de vezes, na imprensa, com versões maliciosas de fatos que sequer ocorreram. Sem senso crítico, tomam isso tudo como a mais profunda verdade, julgam, condenam e agridem sem pensar duas vezes. Mas sempre é tempo de aprender... Espero que essas pessoas reflitam e entendam que a nossa luta é justamente para garantir o direito de manifestação, a democracia e o direito de todas as pessoas de ter uma vida com dignidade, independente de etnia ou condição social, seja no campo ou na cidade.

Concluo com uma citação do papa Francisco, líder religioso que admiro imensamente. "As reivindicações sociais, que têm a ver com a inclusão social dos pobres e os direitos humanos não podem ser sufocadas com o pretexto de construir um consenso de escritório ou uma paz efêmera para uma minoria feliz. A dignidade da pessoa humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios."

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