O Brasil é um barco à deriva, sem rumo

"O Brasil, em meio a esse caos, tornou-se um grande laboratório para experiências de todo tipo, fazendo os brasileiros de cobaias, inclusive para um retrocesso no tratamento das doenças mentais. A ministra que viu Jesus apanhando goiaba quer tirar as crianças da escola, o seu colega colombiano da Educação, que não sabe nem falar o português corretamente, acha que os brasileiros são ladrões; e o ministro da Secretaria Geral da Presidência afirma que manter os direitos dos trabalhadores é uma fantasia", diz o colunista Ribamar Fonseca

O Brasil é um barco à deriva, sem rumo
O Brasil é um barco à deriva, sem rumo (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O Brasil parece estar à deriva, sem rumo, como um barco sem comandante. O Presidente, hospitalizado, não passa o comando ao vice porque não confia nele e tenta governar, ligado  a tubos e soro, através do Twitter e do WattSapp.  Resultado: sem o chefe e sem uma diretriz  os auxiliares se sentem à vontade para fazer o que bem entendem, transformando o governo numa orquestra completamente desafinada.  Um caos. Exemplo dessa balbúrdia, entre outros, é o comportamento do aloprado chanceler Ernesto Araujo, que deu declarações se comprometendo a lançar o Brasil na guerra contra a Venezuela, como se fosse o dono do país, simplesmente porque idolatra Trump e quer fazer do brasileiro bucha de canhão para defender os interesses dos Estados Unidos. Afinal, que temos nós contra os venezuelanos? Absolutamente nada. Se não estamos conseguindo resolver os nossos próprios problemas por que temos de nos meter nas questões internas do vizinho? Só porque os americanos querem? 

Observa-se que o Brasil, em meio a esse caos, tornou-se um grande laboratório para experiências de todo tipo, fazendo os brasileiros de cobaias, inclusive para um retrocesso no tratamento das doenças mentais. A ministra que viu Jesus apanhando goiaba quer tirar as crianças da escola, o seu colega colombiano da Educação, que não sabe nem falar o português corretamente, acha que os brasileiros são ladrões; e o ministro da Secretaria Geral da Presidência afirma que manter os direitos dos trabalhadores é uma fantasia. Por sua vez, o ministro da Economia  fica lançando balões de ensaio sobre a reforma da Previdência, mudando todo dia, conforme a repercussão, a idade mínima para aposentadoria, e o ministro da Justiça, que estava mudo desde que assumiu o cargo, voltou a falar para lançar um pacote anti-crime que complementa a liberação de armas, dando licença para matar com motivos subjetivos que justificam os assassinatos, entre eles uma “forte emoção”. 

Segundo a proposta de Moro,  policial que matar com medo ou submetido a forte emoção terá a pena reduzida ou nem será processado, sendo anistiado de imediato, o que significa que a partir da vigência da nova Lei ninguém mais será punido por matar alguém, bastando alegar medo ou forte emoção, porque será impossivel avaliar se a causa alegada é verdadeira ou não. Se essa proposta chegar a ser aprovada pelo Congresso Nacional, o que não será muito difícil considerando-se o perfil submisso do novo Parlamento, vamos assistir a um banho de sangue no país, uma vez que a liberação de armas permite que um cidadão de mais de 25 anos tenha até quatro armas. E grande parte da população, a título de defesa, se armará. Os homicídios em brigas de rua, sobretudo no trânsito, se multiplicarão e dificilmente alguém será punido, porque a Lei o protegerá. Na verdade, antes mesmo da vigência do “pacote” o banho de sangue já começou, como se constata na chacina promovida pela policia do Rio de Janeiro.

Nesse panorama, o vice-presidente Hamilton Mourão começa a surgir  como uma opção, mostrando-se mais equilibrado e ocupando mais espaço, o que tem desagradado sobretudo os filhos do Presidente e os patronos da sua eleição, como Olavo de Carvalho e Steve Bannon. E não há sinais de mudança visíveis na linha do horizonte, já que a oposição se dividiu. O ex-ministro Ciro Gomes também parece que perdeu o juízo e o rumo, pois ao invés de opor-se ao governo prefere continuar suas descabidas agressões a Lula, acreditando talvez que isso possa lhe render votos. Na discussão que teve com um estudante, no evento da UNE, onde foi vaiado, chegou a dizer que o estão empurrando para a Direita. Ora, na verdade ele nunca saiu da Direita, onde iniciou sua trajetória política, e só está hoje no PDT porque este partido foi o único que abrigou o seu desejo de ser Presidente da República. Pelo visto a derrota nas últimas eleições o deixou imbecilizado.

Para completar esse quadro surreal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sob o comando do general Heleno Augusto, foi acusada de espionar os bispos da CNBB que, na visão do atual governo, estariam conspirando contra Bolsonaro. Parece não haver mais dúvidas: estamos mesmo voltando ao tempo da ditadura militar, quando o governo enxergava comunista em toda parte  onde havia oposição. Hoje os comunistas foram substituidos pelos petistas que, por se oporem ao governo Bolsonaro, estão conspirando. E a espionagem certamente se estenderá aos sindicatos e todas as entidades que criticarem as medidas do governo. Há rumores, inclusive, de que também o Supremo Tribunal Federal estaria sendo vigiado, tarefa facilitada pela presença de um general na assessoria do presidente Dias Tóffoli. E enquanto Bolsonaro “luta pela vida” no Hospital Albert Einstein, segundo expressão do general porta-voz oficial, os seus auxiliares vão tocando o barco de modo desordenado, ao mesmo tempo em que o seu partido, o PSL, que está ficando conhecido como o “Partido do Suco de Laranja”, se prepara para votar as reformas que nunca chegam. Diante desse panorama, vale a pergunta: quem mandou votar no homem? 

 

 

 

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