O Brasil já ganhou a Copa

Os aeroportos estão funcionando bem, apesar das obras incompletas. A infraestrutura do país vem dando conta do recado. A mobilidade urbana, com os sistemas emergenciais adotados nas cidades-sede, tem sido garantida, quase sem transtorno

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Em maio último, uma portuguesa que vive na francesa Lyon, ao me identificar como brasileiro, perguntou-me, espantada: “Como o Brasil vai fazer a Copa, porque a situação lá está pior do que no Afeganistão?” Fiquei chocado com a comparação.

Desde então, aumentaram meus pesadelos com reportagens as mais negativas e terríveis sobre o Brasil nas mídias internacionais durante a Copa do Mundo. Confesso que estava preocupado com o ritmo da preparação do Brasil para sediar o maior evento esportivo do planeta.

Evitava engrossar o time daqueles que previam um desastre, com estádios inacabados, cidades paradas por manifestações e pelo trânsito caótico, aeroportos em colapso. Mas temia os atrasos.

Ainda estamos nas oitavas de final, mas já ganhamos a Copa. Os estádios ficaram prontos e são belas obras de engenharia. Especialmente, estão lotados de gente alegre, colorida, animada.

Brasileiros e estrangeiros educados (com exceção, é claro, daqueles que dirigiram palavras impublicáveis para a presidente da República e a Fifa no jogo de abertura, no Itaquerão). Até agora se assistiu a um recorde de gols nos jogos disputados pelas 32 seleções nas 12 cidades-sede. É mesmo uma grande Copa do Mundo!

Os aeroportos estão funcionando bem, apesar das obras incompletas. A infraestrutura do país vem dando conta do recado. A mobilidade urbana, com os sistemas emergenciais adotados nas cidades-sede, tem sido garantida, quase sem transtorno, para os que festejam em praças e bares e para os que seguem aos estádios.

Resultado? A imagem do Brasil nas mídias internacionais mudou da água para o vinho, com a chegada de 600 mil turistas vindos de 186 países, que reservaram 340 mil diárias em hotéis até 13 de junho.

E com o início de 1 milhão e 500 mil minutos de transmissão dos 64 jogos nas TVs de mais de 200 países, que atingem 3,6 bilhões de espectadores, quase a metade da população mundial. Isso sem computar as repetições das imagens ao longo do dia, as notícias veiculadas por jornais e imprensa especializada, espalhada por sites noticiosos e amplificada nas redes sociais.

Se o Brasil fosse investir em publicidade durante um mês com tal intensidade, veicularia três milhões de comerciais de 30 segundos, ao custo inimaginável de trilhões de reais.

Perto de 19 mil profissionais de imprensa foram credenciados para cobrir os eventos ligados ao torneio. Profissionais que levaram os britânicos “The Guardian” e BBC, para citar dois dos principais meios de comunicação europeus, a reverem seus prognósticos de Copa de confusões e caos.

A BBC já fala que “a Copa das Copas prometida pelos governantes brasileiros está acontecendo mesmo dentro das quatro linhas”. E se rende aos brasileiros, ao revelar que, quando perguntam aos turistas estrangeiros o que pensam do nosso povo, ouvem sempre mesma resposta: “Fantastic people!”

O Brasil está superando a resistência da mídia e da opinião pública. E aparece bem, de Manaus a Porto Alegre, de Fortaleza a Natal, de Recife a Salvador. De Brasília a Cuiabá e Curitiba. De Belo Horizonte a São Paulo e Rio de Janeiro.

O país, até agora, lidera a Copa da imagem e da reputação. Torcemos para que vença também em campo. Apesar do retorno da arrogância do Felipão nas entrevistas coletivas. Mas esta é outra história...

 

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