O Brasil não começou a existir em 2003, como sonham alguns ingênuos

O sucesso Lula deve muito ao "processo" que fez ele chegar lá. E essa caminhada começou no tempo dos "vovozinhos"...

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Publiquei outro dia, em homenagem aos 30 anos do comício das Diretas Já, um texto contando como o governador Franco Montoro, ele que foi o grande "animador" da campanha pelo fim das eleições indiretas, se preparava para enfrentar o que viria pela frente. 


Disse que achava que tanto Montoro quanto o próprio Tancredo Neves sabiam que ainda não havia chegado a hora da mudança. Se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada pelo Congresso, os militares, já em retirada, dariam outro golpe. Um golpe dentro do golpe.
 
Pela simples razão que, numa eleição direta, o chamado "candidato preferencial das posições", como Ulysses se auto-definia. seria eleito. 
Esse candidato chamava-se Ulysses Guimarães. 
 
O nome de Ulysses, cognominado de "O Senhor Diretas", simplesmente não passaria pela goela dos militares. Ele, Ulysses, o homem que chamou Geisel de " Idi Amin" branco, entre outras frentes de confronto com as Forças Armadas. 
 
Pois bem, por contar esse episódios - isso faz parte da nossa História -  fui chamado de velho caduco, de vovozinho, de ser contra as diretas, de ser favorável à continuação da ditadura mais  um monte de asneiras do gênero pelos meninos (na verdade não tão meninos) , que fazem do 247 uma delícia para quem se dispõe a ler os tais "comentaristas" sem leva-los à sério . 
 
Para eles, o mundo começou a existir a partir do ano 2003, quando Lula chegou finalmente ao poder depois de várias tentativas. Tudo que aconteceu antes, "foda-se", para usar a linguagem que os tais "comentaristas" entendem.
 
Eles não sabem - e não querem saber - que a história política não nasce do nada. Ela sempre será resultado de um "processo", terá antecedentes e o que pode ser pior, trará consequências. 
 
Os governos dos "vovozinhos" Tancredo, Montoro, Ulysses, etc., fazem parte do processo que acabaria levando ao poder um metalúrgico do ABC. 
 
Claro que isso não aconteceu por acaso. 
 
Algum "comentarista" se lembra da Carta aos Brasileiros, um instrumento fundamental para que o hoje "vovozinho" Duda Mendonça levasse Lula, o metalúrgico, a ser chamado de "Lulinha, Paz e Amor" e passasse a ser aceito pela retrógrada, exclusivista, e acima de tudo, covarde, então chamada de "elite", na verdade uma classe média com vontade de ser elite?  
 
O Brasil,  infelizmente, senhores "comentaristas", vem de longe acumulando os vícios dessa suposta elite. 
 
A discriminação racial está enraizada nela, como está o apego a benfeitorias - especialmente as que estiverem na moda. 
 
Dai, a proliferação no país dos shoppings centers, onde a ex-elite, atual classe média, se sentia tranquila para pegar seu cineminha com som estereofônico ou apenas tomar seu sorvetinho em paz. Vejam este dado: estavam previstos para ser inaugurados só no Estado de São Paulo, 131 novos desses templos de consumo. 
    
O governo de Lula e Cia produziu, sem dúvida, alguns avanços. Na distribuição de renda, o maior deles, mas trouxe também tremendas decepções.
 
O pragmatismo eleitoreiro, que levou a essa penosa aliança com o PMDB, a criação de uma nova elite no país, a dos amigos de Lula, o comprometimento do crescimento a contratação de milhares de "companheiros" para instrumentalizar toda a administração pública, a corrupção comprovada pelos vários "mensalões" que existem pela aí, alguns julgados, outros na fila de um Judiciário que caminha em passos de tartaruga, etc. 
 
Tudo isso faz parte na NOSSA história política, que os "comentaristas" do 247 se recusam a enxergar. 
 
E o que é pior. Abandonando os princípios que fizeram Lula ser aceito pelas velhas elites e pela classe média (a antiga) partem para uma guerrilha eletrônica contra supostos adversários. 
 
Primeiro era a classe média, depois a mídia golpista, e por aí vamos até chegar a hora de uma invasão de extra-terrestres vir prejudicar os altos e dignos procedimentos do PT.
 
Lembrem-se da primeira eleição de Lula, do Lulinha Paz e Amor. Esse seria o caminho a ser seguido. O da moderação. O do ataque sutil, e contra-ataque idem.
 
Infelizmente - ou felizmente, não sei - o eleitor brasileiro ainda preserva uma quota de bom-senso. Pelo menos eu espero...

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