O Brasil no mapa da fome: crônica de uma morte programada

Ainda somos uma das maiores economias do mundo. No entanto, depois de anos de pujança econômica, de sólida geração de emprego, de distribuição de renda e da erradicação da miséria extrema, voltamos a ser um país que não garante a segurança alimentar de suas crianças

fome
fome (Foto: Verônica Lima)

Fica cada vez mais claro que o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, foi um golpe contra os trabalhadores e contra o povo pobre do Brasil. O projeto neoliberal derrotado nas urnas, e hoje vigente no país, retira todos os dias os direitos sociais conquistados pelos mais pobres ao longo dos últimos quinze anos. Temer governa para os mais ricos e para o capital financeiro. Não há lugar para os mais desvalidos em sua agenda.

Na última semana, soubemos da triste notícia de que o Brasil voltou ao mapa social da fome. Lembremos de que foi só em 2014 que o país saiu desse trágico mapa, após várias ações integradas de combate à fome e à mortalidade infantil, das quais destaco a criação do Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome, em 2003. Apenas quatro anos depois, a fome tornou-se novamente uma realidade em nosso país. As altas taxas de desemprego e os sucessivos cortes nos programas de proteção básica, como o Bolsa Família, são alguns dos fatores que influenciaram para esse grave retrocesso.

Segundo o IBGE, 3% da população brasileira não contam com as condições mínimas de nutrição. Um estudo realizado pela Fiocruz, e divulgado nos últimos dias, revela que o ajuste fiscal imposto pelo governo Temer, somado ao desmonte das políticas de seguridade social, pode ser responsável pela morte de milhares de crianças de zero a cinco anos na próxima década. É a crônica de uma tragédia programada.

Ainda somos uma das maiores economias do mundo. No entanto, depois de anos de pujança econômica, de sólida geração de emprego, de distribuição de renda e da erradicação da miséria extrema, voltamos a ser um país que não garante a segurança alimentar de suas crianças. O apagão social em curso no Brasil atualmente será ainda mais perverso nos próximos anos, quando as consequências de medidas como o teto dos gastos públicos e a reforma trabalhista mostrarão sua face desastrosa.

Nesse sentido, é preciso repensar os caminhos para a política social brasileira. O que quer dizer enfrentar imediatamente a questão da pobreza extrema, tratar a fome como uma questão de saúde pública e garantir que a política de austeridade econômica direcionada aos mais pobres por esse desgoverno seja freada. É necessário assegurar que as nossas crianças desfrutem de seu direito básico à vida. Do contrário, corremos o iminente risco de voltarmos à pequenez social de outrora.

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