O Brasil pode mais que Bolsonaro

A desaprovação do mandatário está aumentando, mas é preciso mais e com mais vigor para livrar o Brasil de um mal maior, que é a total perda da sua soberania. Somente a união das forças progressistas pode recolocar o País no caminho da construção de uma nação de todos, na qual a fome não seja uma paisagem normatizada

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O Brasil é o maior país da América Latina e o quinto, entre mais de 190 países. Possui invejáveis e cobiçados centenas de milhões de hectares de terras agricultáveis. Guarda, em seus 8.516.000 km², a maior reserva aquífera do planeta e um subsolo no qual podem ser encontrados mais de 50 tipos de minerais, com destaque para: ferro, alumínio, cobalto, manganês, chumbo, cobre, nióbio, ouro, níquel, titânio, zinco, zircônio, estanho e cromo. Já a biota brasileira é reconhecida como uma das mais diversas da Terra. O processo histórico da formação do Brasil construiu uma gente cuja identidade é uma belíssima e multicolorida salada genética. Além de europeus, indígenas e africanos, enriquecem e fortalecem o sangue brasileiro representantes de outros quatro continentes.

Toda essa mistura confere ao povo brasileiro uma condição semelhante à da sua diversidade ambiental, que é a sua multifacetada cultura. Tanta contribuição fez este País formar prosadores, poetas, pintores, escultores, músicos, atores, dançarinos que contam a nossa história de maneiras extremamente variadas e que dão relevância internacional à cultura brasileira. No esporte, não é diferente. Embora mundialmente conhecido como a pátria de chuteiras, os nossos atletas trouxeram um sem número de troféus e medalhas de diversas outras modalidades esportivas, o que comprova nossa competência, também, nesse campo.

Já nas áreas da economia e da tecnologia, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Vale do Rio Doce, Petrobras, Correios e a Casa da Moeda, entre tantas outras empresas erguidas por este rico caldo cultural, demonstram que os brasileiros têm competências de sobra para construir uma nação à altura deste País. Tudo é uma questão da política pela qual se opta. O ano de 2002 marcou o fim dos governos ultraliberais de Fernando Henrique Cardoso, quando a inflação média do período foi de 9% e morriam de fome, diariamente, 300 brasileiros, eminentemente, crianças e idosos. Em 2014, durante os governos do Partido dos Trabalhadores, a inflação média era de 6% e, em 12 anos, a subalimentação alimentar havia sido reduzida em 82%. Nos governos Lula e Dilma, quase 40 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema.

Os governos do tucano tentaram, a todo custo, inclusive por meio de sabotagem, privatizar a Petrobras e outras empresas. Conseguiram entregar a Vale do Rio Doce, por R$ 3 bilhões, quando ela valia R$ 93 bilhões. Já os governos do PT usaram suas competências para alavancar o desenvolvimento do Brasil e fortalecê-las como patrimônio púbico. A Caixa financiou mais de quatro milhões de morarias e ofereceu crédito para que mais de cinco milhões de filhos de pobres ocupassem os bancos universitários. O Banco do Brasil financiou a agricultura familiar. O Pronaf foi criado por FHC. Porém, em oito anos do governo tucano, os contratos foram de R$ 12 bilhões. Já nos governos de Lula e de Dilma, as contratações, via BB, passaram de R$ 120 u0bilhões. Durante o período FHC, o lucro do BB e da Caixa foram, respectivamente, R$ 2 bilhões e R$ 1,1 bilhão. Já nos governos petistas, foram de R$ 15,8 bilhões e R$ 6,7 bilhões.

Essas comparações são necessárias porque, desde o golpe de 2016, os ultraliberais do Estado Mínimo voltaram a comandar o País. Primeiro com Temer e, agora, com Bolsonaro. A classe trabalhadora sente os efeitos dessa ideologia voltada única e exclusivamente para favorecer a classe dominante. O atraso se dá não apenas no campo econômico, o que já seria mais que suficiente para reprovar o desgoverno Bolsonaro. Porém, o retrocesso cultural pode demorar mais tempo e custar mais caro que o econômico. A atual administração não é digna da riqueza cultural e da capacidade inventiva e criativa dos brasileiros, que estão sendo massacrados e espoliados de suas posses e competências, para o desenvolvimento de outros povos.

A desaprovação do mandatário está aumentando, mas é preciso mais e com mais vigor para livrar o Brasil de um mal maior, que é a total perda da sua soberania. Somente a união das forças progressistas pode recolocar o País no caminho da construção de uma nação de todas e de todos, na qual a fome não seja uma paisagem normatizada num espaço geográfico em que não há razão para existir. A autoestima dos brasileiros, tão em alta nos governos de Getúlio Vargas e nos do PT, e que a classe dominante insiste em rebaixar, deve ser recuperada frente a todo o seu capital criativo e produtivo, para que Bolsonaro e seu circo de horrores sejam chutados para o lixo da história, de onde sirvam de referência do que esta nação não precisa.

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