O capitalismo não deu certo. Você que é egoísta ou mal informado

Em um mundo basicamente capitalista, existe de sobra desigualdade, concentração de renda, democracias corrompidas, centenas de milhões de pessoas passando fome e muitas guerras. São dezenas de conflitos por petróleo, disfarçados de rinhas religiosas, promovidos por nações capitalistas

Refugiados yazidi que perderam tudo vagam a esmo pelas montanhas da fronteira dom Iraque com a Síria.
Refugiados yazidi que perderam tudo vagam a esmo pelas montanhas da fronteira dom Iraque com a Síria. (Foto: Guilherme Coutinho)

"O socialismo não deu certo em nenhum país do mundo". Essa frase falaciosa e mal intencionada é repetida à exaustão em discussões pseudopolitizadas onde o foco é deslegitimar a esquerda. O pensamento parte de uma parcela privilegiada da sociedade que possui uma ilusão tola de que um mundo predominantemente capitalista estaria ao menos próximo de prosperar. Apenas no continente africano 236 milhões de pessoas passam fome, de acordo com dados da ONU. No mundo, o número sobe para 800 milhões. Pelo visto, o conceito de "dar certo" pode variar bastante, de acordo com a ideologia de cada um.

O capitalismo, pode ser definido, de forma resumida, como o sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na livre iniciativa e, sobretudo, na busca incessante por lucro. Sendo os dividendos a liga que mantém o capitalismo coeso, a desigualdade econômica se torna inerente ao sistema. A concorrência capitalista é desigual pela própria natureza, pois privilegia aquele que já possui capital em detrimento daquele que nada tem. Isso funciona para pessoas, empresas e nações. Com uma elite consolidada e ávida por mais lucro, a tendência natural é a exploração de uma classe dominante financeiramente (burguesia) sobre outra, inferiorizada pelo sistema, que se torna subalterna e marginalizada (ploretariado).

Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel em economia e ex-dirigente do Banco Mundial, associa diretamente o acumulo de riqueza por uma minoria da população e a miséria mundial ao capitalismo, em seu livro "The Great Divide" (a grande divisão). O autor parte do pressuposto de que toda a desigualdade social poderia ter sido evitada, por meio de atuação estatal e políticas públicas acertadas. Joseph vai mais longe ao afirmar que o sistema capitalista, além de gerar desigualdade e miséria, corrompe a democracia: "O lema de um homem um voto está sendo convertido em um dólar um voto". Um sistema que gira em torno do Capital e do lucro não poderia mesmo trabalhar em favor dos princípios democráticos. A JBS que o diga.

Em um mundo basicamente capitalista, existe de sobra desigualdade, concentração de renda, democracias corrompidas, centenas de milhões de pessoas passando fome e muitas guerras. São dezenas de conflitos por petróleo, disfarçados de rinhas religiosas, promovidos por nações capitalistas. Nessa conjuntura, a afirmação de que o socialismo não teria dado certo, como forma de defender o Capital, se torna desprovida de sentido e carregada de falta de informação ou conduzida por puro egoísmo.

O socialismo existiu com o propósito justamente de eliminar a desigualdade – e as próprias classes sociais – através da coletivização dos meios de produção. Em uma realidade sem divisão social não existem privilégios, e como sabemos, não é fácil abrir mão de vantagens que se possui graças a um sistema injusto. É por isso que os egocentrados criminalizam tanto o sistema socialista. Já os mal informados mal sabem o que dizem, apenas repetem, de forma rasa e sem questionamentos, o que ouviram ou leram em algum folhetim nesse neomacarthismo brasileiro.E assim se constrói uma rede proteção a uma instituição falida e, infelizmente, dominante no cenário mundial.

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