O Centro morreu; a luta política no Brasil mudou de fase e de nível

Vitoriosa a batalha contra o golpe, teríamos dois anos e meio de resistência na transição para 2018, quando haverá inevitavelmente uma confrontação de forças eleitorais, mas não só. O embate envolverá, como nunca, os movimentos políticos e sociais atuantes no espectro da esquerda

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O chamado Centro do espectro político, como possível vetor da luta democrática e progressista no Brasil, teve quatro mortes nas últimas três décadas: na Constituinte de 1988, quando se formou o Centrão, expressão da direita, ocasião em que o PT cometeu o clamoroso erro de não votar a favor da Carta, muito embora legitimando-a com a assinatura dos seus deputados; na eleição de Collor, quando a mensagem dos diversos candidatos centristas, por insuficiência de conteúdo e crédito, fracassou; nas duas eleições de FHC, pela mesma razão; e agora, quando se passa inteiramente para o lado da ofensiva golpista, salvo ambíguas exceções individuais que confirmam a regra.

Nas três primeiras situações referidas, quem fez a constatação não fui eu, mas o camarada João Amazonas.

Não se trata de uma movimentação apenas na esfera política, mas também econômica, como revelam as expressões das entidades patronais, Fiesp à frente, o que rebate outras ilusões de que falaremos detidamente em outro momento. Não faltaram forças políticas da esquerda que tentaram embarcar nas campanhas eleitorais de Paulo Skaf.

Seja qual for o resultado do golpe do impeachment – ainda há uma escassa margem de tempo-espaço para derrotá-lo – a luta política no Brasil JÁ mudou de fase. Com Dilma ou sem Dilma no governo, a luta será em outro nível, com outras bandeiras e outras alianças. Contudo, será preciso contar de novo com Lula, Dilma, o PT, o PCdoB, a Frente Brasil Popular e todas as entidades nela organizadas para uma luta de outro nível.

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Vitoriosa a batalha contra o golpe, teríamos dois anos e meio de resistência na transição para 2018, quando haverá inevitavelmente uma confrontação de forças eleitorais, mas não só.

O embate envolverá, como nunca, os movimentos políticos e sociais atuantes no espectro da esquerda. Inevitavelmente, em algum momento a esquerda consequente será confrontada com o debate e a necessidade de agir sobre suas expressões partidárias-eleitorais. A Frente Brasil Popular surge como possível paradigma de união dos movimentos políticos e sociais polarizados pelas formações da esquerda.

Se derrotados, seremos compelidos à dura, radical, ampla, inconciliável, antagônica, profunda oposição a qualquer que seja o arranjo governamental. Em tal situação, será ainda mais incontornável a unidade da esquerda e do movimento popular em nível superior. A conciliação com as forças do golpe seria fatal rendição. A zona do conforto terá sido extinta. O nosso elemento será mais e mais a luta. As últimas jornadas mostram que há potencial.

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Preparemo-nos.

A ciência da luta política, para os comunistas, consiste em adotar os procedimentos táticos indispensáveis para vencer uma batalha. E, no plano estratégico, em prever as futuras batalhas de médio e longo prazos. Ao menos, prever qual será a futura batalha imediata. Esta se afigura complexa.

Enfrentemo-la.

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