O chamado "subsídio" aos preços dos combustíveis foi benéfico ao Brasil, Petrobras, acionistas e consumidores



Infelizmente, mentiras falaciosas divulgadas pelos jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg,  através de uma concessão poderosa de mídia (jornal, radio, tv), atingindo milhões de brasileiros e sem mostrar nenhum número que comprove suas afirmações, se tornam verdades no Brasil.  

Um exemplo claro foi a interpretação dada pelos referidos jornalistas à estabilidade dos preços dos combustíveis praticada pela Petrobrás no mercado interno, a partir de 2011, com o exagerado aumento do preço internacional do barril de petróleo.

Miriam e Sardenberg na época bradavam “é um absurdo, estão querendo conter a inflação causando enormes prejuízos à Petrobrás”. Mas nunca mostraram como calcularam os chamados “prejuízos”.

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Recentemente o atual presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, defendendo a atual política de preços de Preço de Paridade de Importação – PPI (esta sim prejudicial ao Brasil, Petrobras, acionistas e consumidores), em entrevista afirmou que o “subsidio” havia causado um “prejuízo” de US$ 40 bilhões. Mostrou um número mas sem mostrar como chegou a ele.   

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O que mais lamento é assistir alguns amigos afirmarem que o “subsidio” foi desastroso. 

Mais uma vez vou comparar os resultados da época em pagávamos combustíveis com preços abaixo dos internacionais, beneficiando o Brasil e os brasileiros ,  com os atuais preços acima dos internacionais, beneficiando importadores e refinarias no exterior. 

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Resultados Petrobrás em US$ bilhões

tabelas

* inclui o lucro da venda da TAG e BR que representa mais de 2/3 do lucro.

**pela primeira vez a Petrobrás pagou dividendo superior ao lucro

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*** leiam o artigo http://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/5973-por-que-mesmo-tendo-sido-dilapidada-nos-ultimos-anos-petrobras-consegue-manter-elevada-geracao-de-caixa

Onde estão os enormes prejuízos ? Onde está a desastrosa política de “subsídios” ? 

Alguns dizem “mas os lucros e a geração de caixa poderiam ter sido maiores”. Isto é mentira. Pura ilusão. 

A capacidade de pagamento dos brasileiros, como de qualquer povo,  tem limites Evidentemente, americanos, canadenses, europeus e japoneses, tem uma capacidade bem maior que a nossa. Mas é fundamental, no Brasil,  respeitar os limites dos brasileiros.

Portanto o aumento dos preços provocaria uma redução imediata do consumo, revolta dos consumidores, e os resultados não seriam os alardeados. 

É sempre bom lembrar que as agencias classificadoras de risco, Standard&Poor’s, Fitch e Moody’s, tão referenciadas por Miriam e Sardenberg, conferiram à Petrobrás o grau de investimento (Investment grade) entre 2007 e 2015, abrangendo o período em que eles espalhavam que ela estava quebrada. 

Se olharmos a evolução dos preços internacionais do petróleo em reais temos o seguinte:  

tabela

Vejam que no final de 2010, quando iniciou o chamado “subsidio” o preço (atualizados) se aproximava de R$ 300. 

Em maio de 2018, quando da paralisação dos caminhoneiros, havia ultrapassado os R$ 300. 

Até dezembro de 2020 os preços estavam adequados mas à partir de 2021 o aumento se tornou insustentável para os brasileiros, tendo chegado perto de R$ 400 . Portanto a “panela está para explodir”.

A Petrobrás pode e deve  manter preços adequados à capacidade de pagamento dos brasileiros. Preços muito elevados são injustos e politicamente insustentáveis. 

Qualquer política de preços que venha a ser introduzida tem que ter como limite superior a capacidade de pagamento dos brasileiros. 

Compensações podem ser dadas à Petrobrás mas as sugestões que tenho lido não me parecem as melhores. 

Por outro lado é preciso considerar também o caso inverso, em que a Petrobrás venha a adotar preços acima do internacional. 

No período de 2011 até quase o final de 2014 a empresa adotou preços abaixo do internacional. À partir do final de 2014 até meados de 2016 os preços foram superiores ( e muito ) ao internacional. Isto Miriam e Sardenberg não comentaram. Fica a pergunta : qual o interesse deles em defender os preços internos elevados ? A quem querem beneficiar ? 

O gráfico a seguir procura apenas ilustrar o ocorrido , já que a companhia estabilizou os preços quando o brent atingiu US$ 90 o barril (descosinderando a variação cambial). Entre 2011 e até próximo do final de 2014 o brent esteve sempre acima de US$ 90, mas à partir do final de 2014 houve uma inversão. 

Portanto, se a Petrobrás tem de ser compensada pelos períodos em que cobrar preços abaixo do internacional, ela tem de ser cobrada pelo que receber com preços acima do internacional.  

grafico

Estudo elaborado pelo Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) na época, mostra que o preço da gasolina no Brasil em fevereiro de 2016 chegou a estar 49% acima do internacional

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/09/gasolina-esta-mais-cara-no-brasil-do-que-no-exterior-ha-12-meses.html

Vendendo no mercado interno a preços superiores ao internacional e pagando royalties e participações baseados no preço internacional vigente e ,ainda, sem perder substancial fatia do mercado interno para os importadores, em 2016 a Petrobrás logrou alcançar uma geração de caixa, pela primeira e única vez, superior a todas as chamadas “majors”

geraçao de caixa

Mas a festa durou pouco, logo os importadores começaram a se estruturar para aproveitar a oportunidade. Em meados de 2016 a perda de mercado já era de 8%, no segundo semestre passou para 18%. 

Portanto a preparação para o Preço de Paridade de Importação -PPI de Pedro Parente, começou no governo Dilma.

É preciso que fique bem claro que a defesa que faço da política de preços do período 2011/2014, tem a finalidade apenas de trazer a verdade dos fatos e não de fazer defesa da administração do PT de Dilma na Petrobrás. Muito pelo contrário. 

Entendo que a política de Preço de Paridade de Importação – PPI teve origem na administração Bendine assim como o chamado “desmonte” da Petrobrás, com paralisação dos investimentos, demissão em massa e venda de ativos rentáveis.

Além disto, o maior crime cometido pela administração petista foi de não ter defendido a empresa das calunias de Miriam e Sardenberg de que a companhia estava quebrada, tendo todos os números na mão. Isto jamais será perdoado. 

O povo brasileiro sabe, com seu instinto, que aquele que erra e não se arrepende, nem Deus perdoa. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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