O circo cívico-militar e o rei mais bobo da corte

O tradicional desfile de 7 de setembro, este ano reuniu em Brasília a nata do atual mainstream ideológico político brasileiro. A convite do atual presidente da república, figuras importantes assistiram da tribuna de honra o evento militar mais importante do país

Jair Bolsonaro durante desfile cívico por ocasião do Dia da Pátria
Jair Bolsonaro durante desfile cívico por ocasião do Dia da Pátria (Foto: Alan Santos/PR)

O tradicional desfile de 7 de setembro, este ano reuniu em Brasília a nata do atual mainstream ideológico político brasileiro. A convite do atual presidente da república, figuras importantes como Edir Macedo, Silvio Santos, R.R Soares, o presidente do senado David Alcolumbre e o empresário Luciano Hang - que se julga mais importante do que realmente é – entre outros, assistiram da tribuna de honra o evento militar mais importante do país.

Apesar dos nomes de peso, ou, muito provavelmente, por causa de suas presenças, o que deveria ser uma celebração patriótica, teve ares de festa à fantasia, com uma pitada de programa de auditório. Se houvesse mais criatividade, por parte dos idealizadores do “show”, teríamos presenciado um culto ecumênico cívico militar. Com direito a Silvio Santos gritando: “Quem quer dinheiro!” e o bispo Edir Macedo respondendo: “Eu!”

Bolsonaro pediu para que o público fosse de verde e amarelo. O que fez o empresário dono da Havan, entender que ele poderia ir fantasiado de Louro José. Aliás, foi este o apelido dado a ele pelo eterno presidente Lula. O papagaio careca de Brusque até desfilou no asfalto, dando os seus tradicionais pulinhos afetados e apresentando a peculiar euforia débil que o caracteriza. O mesmo, que já se vestiu de Dom Pedro, para chamar a atenção para a necessidade (dele e de outros grandes empresários) de se aprovar a reforma da previdência, disse que estava incentivando o patriotismo no povo brasileiro.

A primeira dama, Michelle Bolsonaro e a deputada federal Joice Hasselmann, foram vestidas de táxi. Seus vestidos só não eram mais amarelos, do que o sorriso visivelmente sem graça do ministro da justiça, Sérgio Moro, que na hora do desfile dos canhões, deve ter temido que saísse alguma nova bomba da “Vaza Jato” do interior deles, e lhe atingisse no alto da Tribuna. Para tentar deixa-lo mais à vontade, Bolsonaro o carregou a tiracolo quando quebrou o protocolo e desceu ao asfalto para testar a sua popularidade junto o público presente. Nesta esquete, ambos se revezavam como bobos da corte. Uma sacada genial da produção.

Como bem sabemos, em todo programa de auditório a plateia pertence ao apresentador. Logo, ninguém poderia esperar outro comportamento da “claque”, que não fosse aplausos ao seu ditador. E ele estava todo prosa. Também, o roteiro da atração lhe favorecia. Quando desfilava em carro aberto, a produção descolou um garoto de mais ou menos uns 8 anos de idade, para demonstrar o carinho que as crianças têm pelo tio Bozo. A criança, devidamente vestida para a ocasião, foi “içada” pelo presidente para o interior do “bozomóvel” e recebeu o carinho do seu mito.

A transmissão da Rede TV, que também estava representada na tribuna, na figura de seu presidente, nos remetia a era medieval. O narrador parecia um dublador de um filme da época das Cruzadas. Quando a Cavalaria iniciou o seu desfile, a sua entonação tinha uma carga tão dramática, que eu me senti no filme do Rei Arthur, esperando Lancelot fazer um solo de hipismo e esgrima, para o delírio da plateia. Mas, tamanho exibicionismo, contrastaria com a descrição do General Mourão. O vice de Bolsonaro, resumiu-se a ser um Michel Temer durante o desfile. Foi meramente decorativo.

O “programa” comandado por Bolsonaro, foi um sucesso. Até porque, ele permaneceu calado a maior parte do tempo. A nós, meros telespectadores dessa tentativa patética de enaltecer um governo antidemocrático, antipopular e com viés ideológico fascista, cabe reflexão e ação. As personagens principais desse espetáculo circense verde-oliva, foram grandes influenciadores religiosos, políticos e dos ramos empresarial e do entretenimento. Ou seja, quem nos “leva para mais perto de Deus”, quem decide o futuro da sociedade, quem “te dá emprego” e quem “te diverte”.

O sistema é bruto. Sabe explorar o ponto fraco de uma maioria que por ser pouco informada, torna-se facilmente refém de suas artimanhas e dos seus planos mais perversos. É preciso estar atento e forte. Eles podem ser muitos, mas, não podem voar se cortarmos suas asas. Como? Fugindo da alienação que eles promovem e indo para as ruas lutar por democracia. Dessa maneira, quando eles anunciarem que o “O circo chegou!”, lançaremos contra eles palavras de fogo, incendiaremos a lona que cobre as suas segundas intenções e mostraremos a eles quem são os verdadeiros dragões da independência.

Liberdade ainda que tardia!

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