O conje fujão

"Seria só ridículo, não fosse extremamente covarde", afirma Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia, sobre as férias de Sérgio Moro, no contexto em que o atual ministro da Justiça é atingido pela Vaza Jato; "Dilma e Lula nunca tiraram folga da dor que Moro lhes impôs", compara

(Foto: Adriano Machado - Reuters)

Por Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia

Não é de hoje que Sergio Moro planeja fugas.

Em dezembro de 2017, ele havia programado um “período sabático” de um ano, fora do Brasil, depois de ter cumprido a primeira e mais vigorosa carga da Operação Lava Jato.

Dilma Rousseff e o PT haviam sido apeados do poder, a economia brasileira estava em frangalhos, o fascismo tinha virado moda e, no Palácio do Planalto, Michel Temer iniciava o desmonte do estado social e venda do País, projeto bloqueado, até ali, nos 13 anos anteriores, pelos governos petistas.

Moro tinha cumprido uma missão que, no ano seguinte, imaginavam os golpistas envolvidos com a Lava Jato, resultaria na natural eleição de um candidato do PSDB para a Presidência da República. Algo, no entanto, saiu errado.

Mesmo com apoio da mídia e de grande parte dos representantes do poder econômico, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, não parecia ter força para decolar. A direita brasileira apegou-se, então, outra vez, ao saco de maldades da Lava Jato. Moro foi obrigado a suspender o sonhado período sabático para cumprir outra missão, ainda mais urgente: prender e condenar Luiz Inácio Lula da Silva, favorito nas pesquisas para as eleições de 2018.

Sem Alckmin, um desastre ferroviário anunciado, e com Fernando Haddad potencialmente capaz de herdar os votos de Lula, mesmo na cadeia, Moro jogou todas as fichas na candidatura do fascista Jair Bolsonaro. Sabemos, agora, estava de olho num projeto de poder de curto prazo: tornar-se ministro da Justiça e, dali a dois anos, conseguir uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

De novo, algo saiu errado.

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Os vazamentos do Intercept Brasil abortaram os sonhos do ex-juiz e, novamente, Moro precisou ensaiar um plano de fuga, essas férias sem cabimento, apenas seis meses depois de começar no novo emprego.

Seria só ridículo, não fosse extremamente covarde.

Na comparação, Moro é um rato diante de Dilma Rousseff e Lula, pessoas a quem ajudou a perseguir e destruir pessoal e politicamente.

Dilma aguentou, de cabeça erguida, sem afinar a voz, o suplício das câmaras de tortura da ditadura. Depois, manteve-se íntegra durante o longo, cruel e injusto processo de impeachment a que foi submetida pelos golpistas de 2016.

Não entrou de férias, não anunciou período sabático. No Congresso Nacional, enfrentou seus algozes olho no olho, sem fugir de perguntas nem se esconder, como Moro, atrás de bajuladores baratos.

Lula, condenado, caminhou voluntariamente para o cárcere, quando poderia ter fugido. O fez porque nunca aceitou menos do que provar integralmente sua inocência.

Foi calado, humilhado, colocado numa solitária para morrer e ser esquecido, mas, para desespero desses cretinos flagrados pelo Telegram, está mais vivo e digno do que nunca.

Dilma e Lula nunca tiraram folga da dor que Moro lhes impôs.

O mesmo não se pode dizer dessa triste figura que não aguentou um mês levando petelecos nas redes sociais e já anuncia uma licença do trabalho para se “reenergizar”.

Não terá como voltar, porque, como dizia o caudilho Juan Domingo Perón, do ridículo, não se volta.

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