O contexto da fala de Lula

Para a luta por democracia, a autorização para Lula falar é o resultado que importa dos espasmos do STF, agora alvo prioritário dos ataques fascistas da Lava Jato e seus bolsonaristas. Caso a nova autorização seja confirmada, a entrevista de Lula representará um marco no processo de retomada do Estado democrático de direito 

O contexto da fala de Lula
O contexto da fala de Lula (Foto: Stuckert)

Para a luta por democracia, a autorização para Lula falar é o resultado que importa dos espasmos do STF, agora alvo prioritário dos ataques fascistas da Lava Jato e seus bolsonaristas.

Caso a nova autorização seja confirmada, a entrevista de Lula representará um marco no processo de retomada do Estado democrático de direito e também um freio de arrumação na unidade do campo democrático e de esquerda.

As questiúnculas jurídicas, entre a PGR, o presidente do Supremo e os membros dessa Corte, considerada como "suprema", expressam o desfazimento da unidade golpista acelerado pelo desgoverno de Bolsonaro.

Mesmo em meio da queda da economia, Bolsonaro ainda tem "bala na agulha", pois conta com uma base popular que lhe continua fiel, em especial os segmentos ligados ao fundamentalismo religioso. Mais do que ser convencida a votar em Bolsonaro, essa base popular substituiu, em seu imaginário, o Lula silenciado por Moro, pelo "mito" que supostamente "pode tudo".

Depois de ter sido vacinada por overdoses de antipetismo, a base popular do capitão sentiu que ele era diferente dos demais políticos da classe dominante. Não o associava ao poder econômico, aos banqueiros e ao sistema político corrupto. Mas os desastrosos cem dias de desgoverno mostraram que vai ser praticamente impossível Bolsonaro manter por muito tempo a sua base enganada de que ele governa para o poder econômico e não para o povo. Em sua ingenuidade, filha da baixa consciência política, grande parte do povo ainda não vê como seu inimigo o poder econômico, mas apenas o político corrupto e as elites privilegiadas.

Sabendo desse risco, e já vendo os sinais disso na movimentação dos caminhoneiros, sua antiga base, Bolsonaro apela para o terrorismo ideológico, para o delirante "combate ao comunismo", associado sempre ao petismo. Mas essa cortina de fumaça para esconder sua dependência aos poder econômico, aos banqueiros e ao imperialismo americano, funciona cada vez menos.

Aproxima-se o maio vermelho, com greves, manifestações e protestos de um povo que acorda para os impasses que estamos vivendo enquanto Nação.

Por isso é tão importante a fala de Lula nesse momento. Em havendo, ela vai juntar as pontas soltas das oposições e das insatisfações ainda difusas, fazendo-as se fundirem numa poderosa correnteza popular que exigirá a volta da democracia como o único caminho para tirar o país da crise.

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