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Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

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O coração de D. Pedro não podia ficar fora dessa...

Emprestado para bicentenário, coração de D. Pedro I chega ao Brasil (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Um dos últimos pedidos de Dom Pedro I foi de que o seu coração fosse preservado na cidade do Porto, em Portugal, onde recebeu apoio nos seus últimos dias. O governo brasileiro solicitou o coração para homenageá-lo no sete de setembro. Portugal atendeu ao pedido, mesmo temendo que o coração se perca ou estrague. 

A história vai registrar o estranho caso que ocorreu em 2022, de uma ex-colônia que recebeu o coração do ex-colonizador para participar da celebração do bicentenário de sua Independência. 

De volta à ex-colônia, o coração do Imperador se assustou ao perceber que o país não progrediu como o resto do mundo. Com capacidade de desenvolvimento industrial, as fábricas estavam com as portas fechadas e o país parecia retroceder aos primórdios da colonização, época da monocultura agrícola. 

Nas metrópoles as pessoas viviam como no tempo da escravidão, dormiam nas ruas e faziam filas nas padarias por um pedaço de pão, doentes morriam sem atendimento nos postos de saúde, moleques gazeteavam perambulando pelas vias sem escolas, saqueadores invadiam casas para roubar. 

O Imperador em exercício parecia não se importar com a miséria do seu povo. Prevaricava na compra das vacinas, debochava de doentes, não se compadecia dos mortos e seus familiares; permitia o desmatamento, a queimadas nas florestas e o genocídio dos povos indígenas; 

Valete de paus com os fracos era Dama de copas com os fortes, pregava apologia à tortura e facilitava o acesso às armas para milicianos urbanos e do campo que o apoiavam; nomeava para o primeiro escalão homens ricos, brancos e corruptos como ele, dava graça aos condenados fraternais, incentivava a intolerância religiosa aliado aos pastores picaretas das igrejas evangélicas; 

Atacava a imprensa, mulheres jornalistas, homossexuais, negros, militantes opositores, urnas eletrônicas, países vizinhos e parceiros comerciais; estimulava manifestos antidemocráticos e a xenofobia regional. 

A ex-colônia vivia um caos na economia, educação, saúde, meio-ambiente, segurança pública, enquanto o Imperador organizava extensas motociatas pelo país pagas com dinheiro público, para demonstrar sua popularidade nociva e limitada aos que vivem dentro da bolha negacionista. 

O que mais impressionou e causou inveja ao coração impulsivo e mulherengo de Dom, foi o poder do Imperador em centralizar as Capitanias Hereditárias em nome de sua mãe, filhos, irmãos, primos, ex-mulheres e ex-cunhados.  

Outra forma de capitalização de dinheiro público pela família, que também fez acelerar o coração ‘libertador’, foi a pirâmide financeira que fazia rodar salários de servidores até retornarem ao ponto de onde partiram. 

Contudo, havia um clima de mudança no país, e isso fez com que o sentimento de frustração da guerra perdida na Cisplatina ficasse à flor do átrio, então o coração de Pedro percebeu que o Imperador também estava para perder a sua e que sofria, como ele, uma forte crise e resistência da sociedade brasileira, além de ter sido condenado, simbolicamente, pelo Tribunal Permanente dos Povos, por crimes contra a humanidade cometidos durante uma pandemia, aumentando as pressões para uma condenação de fato. 

O coração do Imperador D. Pedro I, se não estragar ou se perder, vai voltar para Portugal com a certeza de que o pseudo Imperador, mesmo aumentando a sua artilharia para furar o teto de gastos, assinando decretos anticonstitucionais para fisgar, temporariamente, eleitores em situação de insegurança alimentar, forjando estado de calamidade pública, irá sucumbir à preferência do povo que sente saudade de um dos seus, pelo bem de todos e felicidade geral da nação. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.