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Michel Zaidan

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O custo da governabilidade

Lula precisa de muito jogo de cintura para administrar as pressões, sem pôr a sua agenda em risco e frustrar os eleitores

Lula (Foto: Reprodução | ABr)

Houve uma certa reação  dos eleitores  de Lula, com a entrada de partidos de centro-direita, como os Republicanos, os Progressistas e União Brasil, na base do governo, na Câmara  dos Deputados. Mas uma constatação  se impõe - Lula  não tem maioria no Poder Legislativo e isso causa grandes problemas para sua governabilidade.  

O presidencialismo expõe a solidão do poder e a inescapável necessidade de formar maiorias parlamentares para aprovação  das pautas legislativas do Poder Executivo, sob pena da solidão virar  ingovernabilidade. Reina, mas não governa. Há um consenso  geral de que a atual legislatura  é  uma das mais conservadoras dos últimos  tempos. Os partidos são um ajuntado de dissidentes e aproveitadores sem nenhum espírito  republicano. Vivem de olho no que podem arrancar do governo em termos  de emendas, cargos e nomeações. 

Parte substancial do Orçamento  da União é para garantir esse apoio, que custa caro e é  precário  ou provisório. Diante da chantagem  dos partidos, o presidente se vê diante do dilema de trair a sua agenda ou não governar, com votações contrárias aos seus projetos. A aprovação  do Arcabouço  Fiscal e da Reforma  Tributária custou bilhões  em forma de emendas parlamentares e ministérios. 

Pode -se alegar que, dessa forma, a gestão ficou desfigurada e não valeu a pena ganhar as eleições.  No entanto,o governo resiste em entregar o núcleo duro de sua gestão (Saúde, Educação, Fazenda, Planejamento, Meio Ambiente). Porque aí sim, estaria comprometida de vez a gestão. O risco é que a cada votação importante no Congresso, a sanha avassaladora por benefícios ameace a entrega daquele núcleo  duro. Instalaria-se um cabo de guerra, a ponto de se partir a qualquer hora, E isso inviabilizaria a continuidade do governo. 

Tem gente que torce  para que isso aconteça e crie condições para uma candidatura de direita, nas próximas eleições presidenciais. Um ambiente de crise e paralisia administrativa seriam um caldo de cultura  ideal para um candidato como, por exemplo,Tarcísio de Freitas, que quer se apresentar  como uma direita moderada, diferente do bolsonarismo radical.

De todo jeito, Lula precisa de muito jogo de cintura para administrar as pressões, sem pôr a sua agenda em risco e frustrar os eleitores. Não há porque estranhar essas espinhosas negociações partidárias. São  contingências do nosso mal chamado presidencialismo de coalizão e a inevitável  convivência com aquele que pensa diferente  de nós.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.