O desembarque da Normandia de Bolsonaro

Agora ninguém rouba o momento do encontro de Bolsonaro com o fracasso de seu projeto de ditadura, com seu inevitável afastamento da presidência

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O dia de ontem, 24 de abril, marcou profundamente o governo Bolsonaro – curto no tempo, mas muito longo para a paciência da sociedade.

Tanto a entrevista de Moro quanto o pronunciamento de Bolsonaro formam duas partes complementares, agora desencaixadas, do pesadelo que vive o país.

Um não vive sem o outro. Por isso, até em suas ofensas mútuas, um dá razão ao outro. Mas a partir de ontem, Moro está apostando em seu voo solo, levando parte da claque que, por sua causa, aplaudia o falso mito. Este, agora sem o colete protetor em que estava escrito, “combate à corrupção”, ficou fraco e vulnerável e se esconde atrás do lado mais putrefato do podre Centrão.

Contudo, o voo solo de Moro não é tão solo assim. Da proteção que antes dava ao presidente genocida, agora é ele quem precisa ganhar a proteção do guarda-chuva da fazedora e desfazedora de presidentes, Rede Globo. 

Mas será que esse guarda-chuva da Globo será grande o suficiente para proteger Moro do sol inclemente do deserto da planície que escolheu como seu novo caminho e que alimenta a sua miragem de 2022?

À exceção da Globo e de tucanos sem penas, pois os que renovaram suas penas estão com Doria, Moro enfrentará muitos adversários na sua caminhada trôpega e com voz de marreco.

Portanto, por mais que trabalhe o laboratório da Globo, não será fácil vender um novo mito. Como esconder da sociedade as reportagens do Intercept somadas às revelações de Bolsonaro e dele próprio que, como o capitão, também se autoincriminou na entrevista de ontem? Tudo isso e mais as denúncias das esquerdas, e não apenas do PT, mostrarão que o mito substituto vendido pelo JN tem igualmente pés de barro.

Mas agora ninguém rouba o momento do encontro de Bolsonaro com o fracasso de seu projeto de ditadura, com seu inevitável afastamento da presidência. 

Ontem, foi o Dia D de seu governo; o dia do desembarque da Normandia que fez soar a hora desse presidente genocida, inimigo da democracia e traidor do Brasil.

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