O destino

A heroína do impeachment, aquela que rodou com a bandeira do Brasil na mão e chorou pelos brasileirinhos, antes de escrever a tese em que os deputados/senadores adotaram para derrubar Dilma, ficou em último lugar em um concurso para ser professora titular da Faculdade de Direito

Brasília - Janaína Paschoal, um dos autores do pedido de afastamento da presidenta Dilma Rousseff, na Comissão Especial do Impeachment no Senado (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - Janaína Paschoal, um dos autores do pedido de afastamento da presidenta Dilma Rousseff, na Comissão Especial do Impeachment no Senado (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Léo Gomes)
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Dizem por aí que a turma da República de Curitiba já estava toda animada para ir ao evento do Oscar, passar pelo tapete vermelho (nossa bandeira não é vermelha!), e eis que surge um palhaço, Bingo/Bozo, e leva a indicação; 

A heroína do impeachment, aquela que rodou com a bandeira do Brasil na mão e chorou pelos brasileirinhos, antes de escrever a tese em que os deputados/senadores adotaram para derrubar Dilma, ficou em último lugar em um concurso para ser professora titular da Faculdade de Direito, numa disputa com três; 

Nossa musa Gisele Bundchen que agora chora cantando "Imagine" no Rock in Rio, deve se recordar que vestiu a camisa da CBF e "bateu panela"; 

Samuel Rosa, do Skank, se diz Sábado um indignado com os políticos, mas ainda não se desculpou publicamente por ter pedido votos para Aécio Neves; 

João Traídor (ops), João Dória, todo pimpão candidato a Presidente do Brasil (deixa o Alckmin começar a contar como foi sua eleição, risos) dobrou o número de espera nas creches em São Paulo e governa por smartphone a cidade mais desigual do Brasil; 

Lula que exaltava sua amizade e história com Palocci (o mesmo que em 2005 queria que ele entregasse o cargo ou não se candidatasse a reeleição) preterindo Dirceu, vai suar a camisa um tempo contra a delação do eterno companheiro; 

Ciro Gomes, que estava com a mão na taça para abocanhar os votos lulistas, cometeu esta semana seu esporte predileto: exalou desconexão com as classes menos favorecidas;

Na verdade, tudo não passa de quase uma projeção sob a optica psicanalítica, porém, como constituem conceitos que são atribuídos ao outro, fica a definição clássica de Freud em todos os exemplos acima: "Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.” 

Bem, diz o ditado popular que o erro do urubu foi achar que o boi estava morto. Digo que isso tem isso significado claro: destino. 

O brilhante MARIO SERGIO CORTELLA, filósofo, professor da PUC-SP, disse certa feita: "...Há uma angústia presente na necessidade de fazer escolhas e, mais ainda, na de ter de aceitar o resultado daquilo que se escolheu. Às vezes, essa angústia se transforma em desgosto, sofreguidão, atribulação, sufoco, avidez, desassossego, inquietação. A melhor forma de justificar ocorrências, legitimar frustrações ou desculpar algumas emoções desvairadas é naturalizar a origem de tudo, isto é, colocar as causas dos fatos e nos comportamentos em um patamar fora da intervenção humana, como o destino ou a natureza. Assemelha-se um pouco à síndrome de Grabriela, uma apologia do "eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim..." Resumindo, foi "Deus que quis assim." 

Portanto, entre a reflexão do professor Cortella, os exemplos contemporâneos e as graves perturbações sociais e comportamentais, que enfrentamos, uma força ainda é maior que projetos, crenças, definições e sentenças, o destino. Mas, qual destino? O destino que eu quero, ou o que eu faço com o que eu quero? 

Acredito que os sete exemplos acima demonstram que as planilhas de excel perderam para os caprichos do destino. 

Logo, se ainda assim duvidas do que o destino é capaz de refazer, ou melhor, você é um cartesiano de mão cheia, sugiro que ouça "Oração ao Tempo", mas,  na interpretação de Bethânia, afinal, "És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho, tempo tempo tempo tempo, vou te fazer um pedido..." 

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