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Michel Zaidan

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O elogio à senectude

Devemos nos preparar para a velhice, deixando para trás as paixões inúteis e todo o sofrimento que elas nos causam. Ficar velho, assim, é um privilégio, uma virtude, não uma condenação

Estava lendo por estes dias um texto de Michel Foucault sobre o "cuidado de si" e a emergência do sujeito na história da filosofia ocidental. E fiquei encantado com o pensamento dos estóicos sobre a velhice, ficar velho, atingir a idade dos mais velhos.

Sempre tive uma veneração pelos mais antigos, e sempre me emociona ver os jovens cuidando dos idosos, sejam eles ou não seus parentes. 

Segundo Foucault, para os estóicos cada idade tem sua forma de vida (infância, adolescência, vida adulta e velhice). A sabedoria humana está em saber viver cada uma dessas idades. Mais ainda, se preparar (cuidar do corpo e da alma) para vivê-las bem. É de acordo com o que elas têm a nos oferecer.

Devemos nos preparar para a velhice, deixando para trás as paixões inúteis e todo o sofrimento que elas nos causam. Ficar velho, assim, é um privilégio, uma virtude, não uma condenação.  

O usufruto pleno da senectude não é uma UTI nem uma homecare. É saber gozar e viver as delícias da provectude, sem a angústia de se provar nada. Cuidar de si, libertar-se das paixões, das futilidades do dia a dia, da vontade de poder, do dinheiro, da ambição, da vaidade, do orgulho, das máscaras sociais, é cuidar da nossa vida. Cultivar o espírito e procurar ser bom, ser melhor.

Isto Sêneca, Marco Aurélio e os outros nos ensinaram.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.