O escárnio supremo da pizza na calçada

Embora a maior vergonha não seja comer pizza na calçada para demonstrar uma falsa modéstia (a mesma tosca estratégia de marketing do chinelo rider na reunião sobre a Previdência). Vergonha mesmo é não ter se vacinado ainda, estimulando 22% dos brasileiros a fazerem o mesmo. Ou (pior) fingir que não se vacinou

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(Foto: Lucas Jackson/Reuters | Reprodução)


Atravessando a Praça Raul Soares na encalorada Belo Horizonte, dia desses, ouvi uma senhora dizer a um homem, de dentro da fonte de água, onde se banhavam com duas crianças: “ai, que vergonha, a moça vai ver a gente aqui”. A família parecia não estar acostumada à situação de rua e ficou visivelmente constrangida com a minha presença. Não sei dizer quem ficou mais triste. Não sei para quem é mais constrangedor que o Brasil inteiro se decaia assim, na sarjeta. Na calçada.

Certamente não para o presidente, que de propósito se exibe comendo pizza na rua, num golpe de marketing rasteiro, com o objetivo de manter cativos seus 20% de fiéis seguidores. Sem nenhuma vergonha de se expor como um mendigo barrado no baile, embora esteja ali para representar um dos países do G20 – somos um dos 20 mais ricos, dentre quase 200 países do planeta!

Embora a maior vergonha não seja comer pizza na calçada para demonstrar uma falsa modéstia (a mesma tosca estratégia de marketing do chinelo rider na reunião sobre a Previdência). Vergonha mesmo é não ter se vacinado ainda, estimulando 22% dos brasileiros a fazerem o mesmo. Ou (pior) fingir que não se vacinou. Vergonha é vivermos de mentiras, de toscas estratégias de marketing que enganam somente quem está muito ávido pra ser enganado, quando, de fato, tantas pessoas dariam o mundo para viverem outra realidade. Para voltarem a tomar banho com privacidade, terem de novo suas casas, suas dignidades roubadas.  

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Que crueldade com os 20 milhões de brasileiros, que voltaram a passar fome! Um escárnio, que se torna maior, sobretudo por que foram as ações deste governo que geraram os novos brasileiros famélicos, com os cortes à agricultura familiar e tantos outros programas de combate à fome, além da defasagem na cobertura e nos valores do Bolsa Família e demais políticas públicas de combate à desigualdade. Quanto escárnio nesse factóide!

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