O esgotamento das reservas petrolíferas aguça a voracidade do imperialismo

"Um novo volume de petróleo poderia representar um forte risco para os interesses hegemônicos estadunidenses", escreve Jair de Souza

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(Foto: Reuters)


Por Jair de Souza

Estudos científicos indicam que as reservas petrolíferas mundiais estão se esgotando. Segundo os números divulgados, a manter-se o quadro de consumo da atualidade, as jazidas comprovadas e os estoques disponíveis alcançariam para pouco mais de 46 anos.

Por mais que se fale em fontes alternativas de energia, ainda não existe nenhuma possibilidade de que, a curto prazo, a atual matriz energética mundial venha a ser substituída com equivalente produtividade. E, enquanto isto não acontece, passa a ser de vital importância para as grandes potências exercer o controle dos estoques de derivados de petróleo, das reservas comprovadas existentes, assim como ter o poder para impor a orientação de seu uso.

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Os formuladores estratégicos dos países hegemônicos sabem que a continuidade do funcionamento mais ou menos normal de suas economias vai depender da disputa contra seus concorrentes pelos limitados volumes de petróleo restantes. Como as transformações e adaptações tecnológicas necessárias para fazer rodar um novo sistema não vão se efetivar de imediato e nem de uma só vez, levarão vantagem aqueles que puderem contar com quantidades de petróleo suficientes para seguir caminhando normalmente enquanto as novas matrizes não vinguem.

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Dentro da lógica da concorrência imperialista, se existe um recurso fundamental para a operacionalidade da economia e sua disponibilidade é reduzida, o melhor a fazer é garantir para si próprio o máximo do mesmo e tratar de impedir ou dificultar seu acesso por potenciais concorrentes.

Sendo assim, as potências imperialistas e seus blocos associados (principalmente, os Estados Unidos e a União Europeia) vêm dedicando esforços para garantir que o que ainda resta de petróleo no mundo permaneça sob seu domínio. Somado aos interesses dos acionistas privados por abocanhar os enormes lucros que a Petrobrás gerava, é isto que, em grande medida, permite-nos entender uma das motivações que impulsaram órgãos institucionais dos Estados Unidos a apoiar e orientar a movimentação que redundou no golpe de 2016 contra o Estado e o povo brasileiros.

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Quando técnicos da Petrobrás descobriram as reservas do pré-sal e viabilizaram a tecnologia que permitiria sua exploração competitiva, um alarme se acendeu nos centros imperialistas. Um novo e significativo volume de petróleo fora do controle dos grupos comandados pelos EUA poderia representar um forte risco para os interesses hegemônicos estadunidenses.

Ao dispor de todo esse novo montante de modo independente, o Brasil tinha tudo para se fortalecer ainda mais como país industrializado e soberano, pois poderia contar com a energia requerida para manter e fazer avançar seu parque industrial e, além disto, disporia de um maior poder de barganha no cenário mundial ao se relacionar com as demais nações.

Portanto, ao arquitetar e consumar o golpe em 2016, os defensores dos interesses imperialistas vislumbravam atingir os seguintes objetivos: tomar o controle das novas jazidas do pré-sal e impedir que elas viessem a ser usadas conforme o planejamento original que havia sido divulgado pelo governo petista (prioridade de aplicação dos recursos em favor da educação); tornar o Brasil um país exportador de petróleo bruto, para que não continuasse gastando parte importante deste recurso tão disputado para alavancar seu processo industrial.

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Ou seja, buscava-se matar dois coelhos com uma só cajadada. E assim foi feito. Por isso, as primeiras medidas tomadas pelo governo golpista de Michel Temer, e fielmente continuada  na gestão Bolsonaro, foram no sentido de acabar com o monopólio nacional sobre o petróleo do pré-sal e entregá-lo às multinacionais petroleiras; enquanto que, simultaneamente, redirecionava-se a economia do país para o rumo da exportação de commodities, desacelerando e desativando as atividades industriais.

Como resultado, o Brasil se tornou também um exportador de petróleo bruto. Nossa capacidade de refino foi drasticamente reduzida, visto que várias refinarias foram vendidas e os projetos de criação de novas, abandonados. Por outro lado, nossa capacidade de exportar bens manufaturados foi quase que aniquilada. O que também vai no sentido da lógica recém explicada, pois permite que mais excedentes de petróleo bruto fiquem disponíveis para atender as necessidades das grandes potências de estender por mais tempo suas atuais condições de vantagem competitiva.

Evidentemente, como consequência do acima exposto, o número de desempregados no Brasil aumentou vertiginosamente, com todas as mazelas dos problemas sociais a isso associadas. Mas, esta não parece ser uma questão que sensibilize muito aos donos do grande capital.

O vídeo que apresentamos neste link (https://youtu.be/aetEwTc2nvg) é útil para a compreensão das ideias que tentei apresentar no decorrer deste texto.  Fiz a tradução e elaborei as legendas em português buscando facilitar o entendimento de nosso público. Caso as legendas não apareçam automaticamente ao iniciar o vídeo, basta ir às configurações, na parte inferior da tela do aplicativo, e ativá-las.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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