O estadista Lula encarna o direito e o respeito, o Estado brasileiro encarna a violência e a prepotência

Lula demonstra facilmente que é um estadista, no entanto, sua experiência pessoal e sua atuação pública conjugados a sua inteligência e a sua invulgar capacidade de respeitar, ainda assim, não é suficiente para que ele possa dispor de seus direitos e voltar a atuar no nível do estadismo que lhe é tão natural

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Disseram que Lula falou como um estadista em 07/09/20....

Na verdade, Lula é o maior estadista que o Brasil já teve, e como tal, não saberia fazer de forma diferente. Alguma dúvida? Incluo neste argumento ao estadismo, a capacidade de compreender e de se sensibilizar com o Estado como elemento estrutural da civilização, lugar privilegiado para a res pública e para o aperfeiçoamento da democracia, lugar privilegiado para se exercer o poder de isenção, a equanimidade, e a eficiência da ética. O Estado por excelência é o lugar a ser ocupado pelas pessoas que acreditam no espírito público e na civilidade.

O Estado é ainda mais e especialmente necessário, tanto quanto os liberais desejam a sua subserviência ao Mercado. Nunca como agora se fez tão necessário o Estado reencantado pela missão de constituir os meios adequados para a civilidade realmente baseada no respeito (leia-se diversidade, palavra que parece assustar) e no direito ( leia-se responsabilidade de todos e de cada um, de cada instituição e de cada empreendimento). Já existem sinais claros em alguns poucos países de que este Estado é factível, menciono apenas a Finlândia.

Respeito e direito estão em falta para mais de 70% da população mundial. 

Se a meta é o respeito e o direito não nos enganaremos mais sobre todas as formas de violência que são impostas contra a maioria da população, e tenho a impressão de que este Novo Contrato Social invocado por Lula (CHEGA DE PACTOS e nada de pactuar com a direita) deve passar por aí. Quanto mais gente se aliar efetivamente ao respeito e ao direto, mais evidente será a manifestação de qualquer violência. Não queremos lei e ordem, queremos respeito e direitos. Não queremos punição e controle, queremos respeito e direitos.

As soluções dos problemas humanos impostas pelo poder da violência serão sempre parciais e equivocadas, e sabemos que a violência não é e nunca foi monopólio dos Estados, porque os Estados ainda são parasitados por interesses privados. A parcialidade de um Estado ou a parcialidade da justiça se mede pelo tamanho da violência que existe na sociedade.

O verdadeiro estadismo, o verdadeiro estadista, está consciente desta realidade e deseja o Estado invulgar que se alimenta da consciência civil e nutre a consciência civil, a consciência civil do respeito e do direito... O uso da violência, na sua forma bruta ou sutil deveria ser o último recurso a ser utilizado pelo Estado ou por qualquer um.

Lula demonstra facilmente que é um estadista, no entanto, sua experiência pessoal e sua atuação pública conjugados a sua inteligência e a sua invulgar capacidade de respeitar, ainda assim, não é suficiente para que ele possa dispor de seus direitos e voltar a atuar no nível do estadismo que lhe é tão natural, porque está perante um Estado tão recém republicano quanto precocemente vencido por vícios historicamente arraigados e tradicionais (um Estado atualmente caduco e absolutamente doente). Portanto, está claro que Lula terá mais chances de recuperar seus direitos com a nossa ajuda, ou seja, se não quisermos contar apenas com o humor amargo e a moral dúbia de justiceiros, irresponsáveis e moleques da parcial justiça brasileira, a partir de agora, a prioridade das manifestações de opinião ou de rua poderiam ser o respeito do Estado (contra a retórica violenta que enaltece a violência, contra a necropolítica) à sociedade e os direitos, a começar pelos direitos do Lula.

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