O fanatismo ocidental e o retorno da extrema direita

Deslocar o olhar do fanatismo islâmico que ronda a figura do terrorista árabe, direcionando-o para o seu correlato ocidental, impõe-se como tarefa fundamental para todos aqueles que se lançam à busca da compreensão dos processos que desaguaram na saída em massa dos bueiros do mundo da extrema-direita, entre nós representada pelo bolsonarismo

www.brasil247.com - Bolsonaro
Bolsonaro (Foto: F�BIO MOTTA)


Em algum momento na passagem dos anos 1990 para os anos 2000, passou-se a conviver com novas modalidades de fanatismo que se fazem presentes até hoje sob o impulso intelectual de teses como aquelas elaboradas pelo cientista político estadunidense Samuel Huntington, de acordo com o qual seriam as identidades culturais e religiosas dos povos a determinante fonte de conflito no mundo pós-Guerra Fria, já que o liberalismo e o capitalismo teriam triunfado definitivamente diante do marxismo e do comunismo.

As repercussões dessa nova onda global de fanatismo, alimentadas pela ideia de “choque de civilizações”, acabaram gerando um duplo efeito: por um lado, acarretaram um crescimento exponencial da sensação de medo e insegurança entre populações e governos dos países do mundo ocidental em relação a novos atentados terroristas que seguissem a trilha do “ato inaugural” do 11 de setembro de 2001 (como os que efetivamente vieram a acontecer no metrô de Londres, nos trens em Madri e nas ruas de Nice e Barcelona, por exemplo).

Por outro lado, o fanatismo fez regredir uma das maiores conquistas decorrentes da ascensão da racionalidade iluminista: o sentimento de tolerância em relação ao outro, que, não obstante o fato de ter sido jogada às favas em não poucos momentos da história da modernidade ocidental, sempre serviu como um ponto de referência com vistas ao combate das ideologias e práticas sociais e estatais direcionadas ao aniquilamento da diversidade representada pelo outro.

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Pois bem, em um período da história marcado pelo avanço da globalização neoliberal e das críticas daqueles que defendem uma globalização democrática orientada pela socialização dos poderes, assiste-se não ao avanço da tolerância em direção a um sentimento superior de integração, mas sim ao retrocesso representado pelo crescimento da xenofobia alimentada por uma extrema direita neofascista que assola o mundo inteiro.

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Nos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, serve como elemento de unificação do discurso dos vários partidos e organizações de extrema direita neofascista a fobia em relação à figura do imigrante: latino (no caso dos Estados Unidos) e africano (no caso da Europa). Porém, como a fobia em relação ao outro é um mal que se alastra tal qual uma erva daninha, não é de se espantar o sucesso atingido por movimentos como o Brexit, que defendeu a saída do Reino Unido da União Europeia.

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Mas o fanatismo contemporâneo não se resume à intolerância ao imigrante. Na verdade, este se volta em maior grau, senão completamente, contra sujeitos sociais tradicionalmente subalternizados em uma história que continua a ser em grande parte a história da dominação burguesa, patriarcal e colonialista.

Deslocar o olhar do fanatismo islâmico que ronda a figura do terrorista árabe, direcionando-o para o seu correlato ocidental, impõe-se como tarefa fundamental para todos aqueles que se lançam à busca da compreensão dos processos que desaguaram na saída em massa dos bueiros do mundo da extrema-direita, entre nós representada pelo bolsonarismo.

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