O fantasma que assombra Temer

"Temer e boa parte de seus ministros e assessores, que ocupam o governo de forma ilegítima, têm emitido nítidos sinais de que estão dispostos a tudo para não perderem seus mandatos", afirma o deputado Wadih Damous (PT-RJ); "Para Temer, é uma questão de vida ou morte, ou melhor, de presidência ou cadeia. Ele sabe que, uma vez defenestrado do cargo, o risco de ser preso torna-se iminente, já que não só perde o foro privilegiado como também deixa de se beneficiar das restrições que a legislação prevê para investigações e processos envolvendo o presidente da República", escreve o parlamentar, que lembra que a mesma apreensão "é compartilhada por larga parcela dos titulares da Esplanada dos Ministérios, igualmente dependentes do foro especial para se manterem em liberdade"

 Moreira Franco
Michel Temer
Eliseu Padilha
 Moreira Franco Michel Temer Eliseu Padilha (Foto: Wadih Damous)

Temer e boa parte de seus ministros e assessores, que ocupam o governo de forma ilegítima depois do golpe de estado que cassou o mandato da presidenta Dilma, têm emitido nítidos sinais de que estão dispostos a tudo para não perderem seus mandatos.

Para Temer, é uma questão de vida ou morte, ou melhor, de presidência ou cadeia. Ele sabe que, uma vez defenestrado do cargo, o risco de ser preso torna-se iminente, já que não só perde o foro privilegiado como também deixa de se beneficiar das restrições que a legislação prevê para investigações e processos envolvendo o presidente da República.

Essa apreensão é compartilhada por larga parcela dos titulares da Esplanada dos Ministérios, igualmente dependentes do foro especial para se manterem em liberdade. Por isso, mandaram às favas quaisquer escrúpulos de natureza ética ou republicana, no vale tudo para salvar seus pescoços da guilhotina.

A movimentação de Temer e seus homens de confiança nos subterrâneos da política, ou mesmo sob a luz do sol, só faz com que se dissemine cada vez mais entre os brasileiros e as brasileiras a convicção de que o país está no fundo do poço, entregue a políticos inescrupulosos, cuja obsessão é a garantia da impunidade. Para que esse objetivo seja alcançado, o exercício dos altos cargos da República funciona como uma couraça de proteção.

Nessa toada, de nada valem flagrantes, gravações, filmagens, confissões, evidências, denúncias, malas de dinheiro sendo transportadas pelo país, encontros na calada da noite e sinais exteriores de riqueza. O governo contrapõe cada acusação com versões inverossímeis, e até mesmo patéticas, dos fatos. Pouco importa o aprofundamento do caos político, institucional, social e econômico do país.

Contando com a conivência e a cumplicidade de setores influentes do monopólio da mídia, os golpistas não hesitam em pressionar juízes do TSE para tentar evitar a cassação, contratar peritos de duvidosa reputação com o propósito de desmoralizar áudios de conteúdo devastador, exonerar e nomear ministros para assegurar a prerrogativa de foro do homem da mala de Temer, além de lançar mão de toda sorte de chantagens e ameaças aos parlamentares que ameaçam debandar da base de apoio.

Seria uma rematada bobagem esperar de um político do padrão moral rasteiro de Temer um gesto de grandeza como a renúncia em prol do país. Cego pela obsessão de se manter no poder sobre pau e pedra, as mais de 100 mil pessoas que protagonizaram a bela manifestação pelas Diretas Já, na praia de Copacabana, no último domingo, nem de longe mereceram sua atenção.

Só que, pelo andar da carruagem, com o potencial de crescimento que tem a campanha pelas Diretas Já, quando Temer resolver enxergá-la, já será tarde demais. Para ele.

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