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Luis Felipe Miguel

Professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB). Os textos reproduzidos nesta coluna são postados originalmente no Facebook do autor

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O favorito de Temer parece ser Alexandre Moraes

"Enquanto a massa de manobra da direita nas ruas se atiça com a ideia de colocar o justiceiro das araucárias no STF e uns e outros propõem a pitonisa da USP, o favorito mesmo parece ser Alexandre de Moraes", diz o cientista político Luis Felipe Miguel; "Caso nomeado, juntar-se-á a Gilmar Mendes (escolhido por FHC) e Dias Toffoli (escolhido por Lula) na lista dos ministros que chegaram ao Supremo sob o desprezo quase unânime dos meios jurídicos"

Brasília- O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes e o presidente interino Michel Temer participam da posse do novo defensor da Defensoria Pública da União, Carlos Eduardo Barbosa Paz (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Luis Felipe Miguel)

Graças à manobra realizada para impedir que Dilma nomeasse novos ministros do Supremo, com o aumento da idade da aposentadoria compulsória, Temer tinha a expectativa de não indicar ninguém. A morte de Teori Zavascki lhe concede uma vaga.

Enquanto a massa de manobra da direita nas ruas se atiça com a ideia de colocar o justiceiro das araucárias no STF e uns e outros propõem a pitonisa da USP, o favorito mesmo parece ser Alexandre de Moraes. O receio do usurpador parece ser a reação da opinião esclarecida diante da escolha.

Não é que Moraes seja necessariamente pior do que outros nomes - por exemplo, vejo Ives Gandra Martins em algumas listas de apostas, um reacionário visceral, e talvez ele fosse ainda mais nocivo. Mas é que o atual ministro da Justiça não preserva um verniz mínimo de respeitabilidade profissional. Caso nomeado, juntar-se-á a Gilmar Mendes (escolhido por FHC) e Dias Toffoli (escolhido por Lula) na lista dos ministros que chegaram ao Supremo sob o desprezo quase unânime dos meios jurídicos.

(texto originalmente publicado em seu Facebook)

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.