O fim da guerra fria e suas consequências - parte 01

Sem a propaganda do poderoso inimigo do Leste, as elites políticas dos EUA se dedicaram a propagandear e impor o modelo neoliberal pelo mundo

Ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.
Ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. (Foto: Ronald Reagan)
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Estados Unidos e a Guerra Fria: o medo como propaganda

Pode-se considerar como início da Guerra Fria o período logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os exércitos soviéticos e ocidentais se encontravam ocupando territórios na Europa arrasada pelos conflitos e era preciso uma retirada. Assim, se demarcou como área de influência de cada parte a linha de ocupação das tropas ao fim da guerra. Os Estados Unidos assumem o papel predominante do lado ocidental, na defesa do sistema capitalista e democracia liberal como ideologia em sua esfera, ao passo que a URSS assume seu lugar como potência na defesa da ideologia socialista soviética para a sua.

Após o fim da guerra, conforme relata Eric Hobsbawm em seu “Era dos extremos”, o mundo viveu um período de relativa estabilidade, com ambas as superpotências evitando conflitos entre si. Este período se estendeu até os anos 1970, baseando-se no receio de ambas as partes, de um conflito nuclear que seria devastador para todo o mundo. Essa constante ameaça esse clima de iminente conflito a qualquer momento, deixava receosas todas as populações mundiais, que temiam sofrer por tabela, com as bombas atômicas que cortariam os céus.

Observa-se nos Estados Unidos, uma grande preocupação não apenas em se evitar uma recessão interna, mas em manter os europeus ocidentais longe do poderio soviético, a fim de preservar mercados, corações e mentes naquele continente. Enquanto o americano se usava da “política de contenção”, visando se proteger de uma possível hegemonia da URSS no futuro, os soviéticos se preocupavam com a hegemonia presente dos EUA. Devastada pela guerra, a União Soviética se encontrava na posição defensiva e muitas vezes dependente de concessões da potência rival. A retórica de um adversário implacável visando invadir e destruir o modo de vida dos americanos era muito importante para seus líderes, que precisavam continuamente de votos para permanecer no poder. Essa eterna preparação para guerra propiciou também a criação de complexos industriais e militares tanto nos Estados Unidos quanto na União Soviética, garantindo crescimento econômico, empregabilidade, comércio exterior de armas e fornecimento de matéria-prima por parte de aliados mais empobrecidos.

A partir dos anos 1970, os EUA enfrentam um período econômico difícil, devido a crises como a do petróleo, ao mesmo tempo em que observam o relativo crescimento da URSS e revoltas populares no terceiro mundo, que se alinhavam à potência rival. A Guerra Fria toma então uma nova configuração, onde os americanos adotam uma postura belicista, gerando uma corrida armamentista e uma retórica dura contra os soviéticos, que responderam da mesma forma. Essa etapa se estendeu até que o líder Soviético no poder, Mikhail Gorbachev, aceitou acordos para barrar a corrida armamentista e o ocidente confiou na veracidade dos fatos. A URSS estava esgotada pela produção militar e precisava de recursos para tentar solucionar crises de bem estar dentro de seu território. Para os americanos, foi uma vitória, que se cristalizaria com o desmembramento da União Soviética, levada a cabo por seus líderes burocratas e o fim dos países de partido único no leste europeu.

Os Estados Unidos, com extensa propaganda a fim de convencer seus cidadãos de que havia se alcançando a destruição do inimigo, aproveitou o fim do modelo de um Estado que garantia bem estar social para impor medidas políticas e econômicas neoliberais, marcadas pelos princípios do Estado mínimo e a redução das contas públicas ao custo da eliminação de direitos sociais. O mesmo foi seguido pelos britânicos e por relutantes europeus, embora esses últimos tenham mantido várias características dos estados sociais por receio de que suas populações não aceitassem a súbita retirada de direitos e ocorressem grandes convulsões sociais. 

Sem a propaganda do poderoso inimigo do Leste, as elites políticas dos EUA se dedicaram a propagandear e impor o modelo neoliberal pelo mundo, até que surgiu um novo inimigo para combater e mobilizar a opinião pública: o terrorismo. Esse inimigo que vive nas sombras possui a vantagem de poder ser qualquer um. Basta que os governantes americanos o classifique como tal. As conseqüências, como se observa nos dias atuais, desde a guerra do Iraque, são nefastas.

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