O fim da oposição

Não estamos mais à espera de líderes messiânicos, nem de milagres econômicos. Mas sim de uma pessoa semelhante a nós mesmos, vivendo as mesmas agruras e preocupações do nosso dia a dia

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Naquela famosa narrativa de Franz Kafka, em A Metamorfose, Gregor Samsa acorda e percebe que se transformou numa barata. Aqui, os nossos eleitores se deparam assustados com uma dura realidade: Não há mais oposição!

É como na "pax romana", as nossas elites dirigentes têm direito a tudo, enquanto nossa pobre população se conforma com sua vidinha pacata, excluída das discussões e decisões políticas. E segue caminhando pelas ruas, aguardando por um espírito iluminado, que nunca falta com a verdade e denuncia falcatruas, traições de confiança e corrupções típicas do poder. Um novo líder, que poderá nos guiar em direção a uma nova era de transformações e de bem estar social.

Um clone que, assim como no filme Avatar, é controlado por nossa consciência, lutando para resolver os problemas, agindo de acordo com nossos planos e ideias. Um bravo guerreiro, pronto a desafiar todo um sistema poderoso prestes a destruir o meio ambiente em que vivemos, acabando de vez com a nossa paz e tranqüilidade. Mas, na vida real, isso não existe!

Nesses últimos anos, por conta da nossa absoluta falta de reação aos desmandos administrativos, nos encontramos numa situação em que não é mais possível extrair qualquer conclusão positiva do que está ocorrendo. As suspeitas ensejadas se fortaleceram por si mesmas, graças à uma total imobilidade e omissão dos que poderiam ter algum poder, para coibir as práticas desonrantes de nossos poderes constituídos. Não há razão alguma, para que os excluídos se calem e deixem vendilhões se instalarem no templo da democracia, se até Cristo lutou contra tais desmandos, ao expulsá-los a chicotadas!

Nós não podemos nos deixar vencer pelo cansaço, nem pela descrença na justiça. Se houvesse alguém fazendo uma oposição responsável, haveria hoje uma luta democrática em pleno andamento, e não uma imprensa que apenas denuncia, e cujo único objetivo é apenas vender mais jornais e revistas. É até fácil incitar as pessoas a se irritarem com injustiças, promovendo uma grande catarse coletiva com propostas de mudanças através de escolhas simplistas que nos apresentam como únicas alternativas, estar sob a anestesia da desesperança, ou ser aliciado pelo sistema.

Nós só dependemos de nossas próprias atitudes e da participação cívica, para que essa situação tenha os seus dias contados. É preciso exigir dos candidatos nas próximas eleições, que eles nos apresentem propostas de governo e de investimento do nosso dinheiro, com muita ênfase no combate à corrupção e numa redução dos gastos desnecessários com o funcionalismo público. Ou eles nos governam com eficiência, trazendo retorno aos investimentos feitos com recursos públicos, ou vamos desqualificá-los, antes mesmo que esses tais candidatos nos façam perder tempo mais uma vez, com as tolas e estéreis discussões sobre seus projetos de mudanças impossíveis e as suas promessas inúteis.

Este é o fim da oposição. Nós podemos estar assistindo hoje ao nascimento de uma nova geração de eleitores preparados por informações livres. Estas informações, que circulam em alta velocidade, em plena era digital e através da internet, são de livre acesso a todos os eleitores de boa vontade. Não estamos mais à espera de líderes messiânicos, nem de milagres econômicos. Mas sim de uma pessoa semelhante a nós mesmos, vivendo as mesmas agruras e preocupações do nosso dia a dia.

Uma pessoa que se pareça com um dos nossos vizinhos, com quem nós gostamos de conversar sobre nossos problemas, nossa saúde, a educação de nossos filhos, a segurança do nosso bairro e de nossa cidade. Uma pessoa que, ao acordar, olhe-se no espelho com dignidade. E não como uma barata! Que se identifique com pessoas da vida real e que também possa ser vista por elas, como um respeitável membro de uma nova rede de sobrevivência moral.

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