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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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O futuro do Brasil: Lula ou Bolsonaro

Polarização política define os rumos do país, com disputa entre projetos antagônicos e ausência de alternativa viável fora desse eixo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Reprodução/X-Flávio Bolsonaro)

Desde que a direita brasileira se tornou bolsonarista e Lula se consolidou como a alternativa que unifica toda a esquerda, o futuro do país está resumido à alternativa Lula ou Bolsonaro (ou o filho que ele indicar).

A chamada terceira via já nasceu morta. Dizer que vai superar a polarização e pacificar o país é como afirmar: nem direita, nem esquerda. Como se a polarização fosse um ato de vontade, e não algo que nasce das profundezas da sociedade.

Desde que o capitalismo internacional aderiu ao neoliberalismo, as alternativas se reduziram a aceitar esse modelo ou resistir e lutar por sua superação. O neoliberalismo ou o antineoliberalismo, que deve desembocar no pós-neoliberalismo — período ainda por definir.

A direita, com seus distintos possíveis candidatos, quer herdar o caudal de votos de Bolsonaro, o que a condena ao bolsonarismo, com todas as suas formas de negacionismo e sua herança totalmente negativa de governo.

O que tem a direita brasileira a propor? Somente o “Fora Lula”? Para colocar o quê em seu lugar? Apenas liquidar as conquistas sociais — a começar pelo salário mínimo —, incluindo a indenização aos grandes empresários pela diminuição da jornada de trabalho, proposta apresentada como “genial” por Tarcísio, ex-governador de São Paulo, para restabelecer o neoliberalismo?

O neoliberalismo teve seu auge; hoje, pode-se dizer que fracassou, tanto no Brasil quanto na América Latina e no mundo. Basta comparar dois modelos contrapostos: o Brasil e a Argentina.

No Brasil, um modelo antineoliberal, com prioridade às políticas sociais, pleno emprego e fortalecimento e democratização do Estado, apresenta indicadores econômicos e sociais positivos. Já a Argentina enfrenta um desastre econômico e retrocessos sociais inimagináveis há algum tempo. Lula se fortalece até mesmo nas pesquisas, enquanto Axel Kicillof, candidato da oposição a Javier Milei, já chega a ter 10 pontos de vantagem sobre o presidente, que está em um declínio acelerado.

No Chile, o presidente neopinochetista recém-eleito tenta impor retrocessos políticos e econômicos que só podem levar o país a um novo desastre. Enquanto isso, no Brasil e no México, as economias se expandem, os direitos sociais se consolidam e o neoliberalismo vai sendo superado.

Dessa maneira, a mídia deveria se convencer de que, ao se concentrar em atacar Lula, acaba favorecendo a única alternativa ao ex-presidente: o filho designado por Bolsonaro para ser candidato.

A história não é um processo absolutamente aberto, em que todas as alternativas são possíveis. Hoje, o futuro do Brasil, a ser decidido na próxima eleição presidencial, está circunscrito a Lula ou ao filho de Bolsonaro — gostem ou não jornalistas e defensores de uma terceira via que só existe na vontade desesperada deles.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.