O genocida também mata as universidades federais

Passadas duas décadas da arbitrariedade cometida pela gestão do PSDB, a desconsideração da vontade da comunidade acadêmica, aferida nos processos eleitorais ocorridos no interior de inúmeras universidades e institutos federais, passou a ser a tônica do governo que cumpre diariamente a promessa feita de destruir o país



Por Marco Mondaini

O ano era 1998. Fernando Henrique Cardoso o presidente da república em primeiro mandato. Paulo Renato Souza o Ministro da Educação. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a comunidade acadêmica escolhe democraticamente o ilustre economista Aloisio Teixeira para assumir a reitoria da maior universidade federal do país.

Porém, numa decisão política ilegítima, a dupla Fernando Henrique/Paulo Renato nomeia para a reitoria o terceiro colocado da lista tríplice, o modesto professor de filosofia José Henrique Vilhena, mergulhando a antiga Universidade do Brasil numa crise que se arrastaria durante quatro anos, abrindo um precedente que não seria repetido durante os anos de gestão Lula e Dilma.

Passadas duas décadas da arbitrariedade cometida pela gestão do PSDB, a desconsideração da vontade da comunidade acadêmica, aferida nos processos eleitorais ocorridos no interior de inúmeras universidades e institutos federais, passou a ser a tônica do governo que cumpre diariamente a promessa feita de destruir o país.

O genocida parece não ter limites na pulsão de morte que o move – desejo de morte em relação à população brasileira e suas instituições, entre as quais aquela que é a principal responsável pela construção e difusão do saber científico em nosso país: a universidade pública, particularmente, as universidades públicas federais.

A não nomeação dos primeiros colocados nas eleições realizadas nos últimos dois anos representa uma permanente intervenção que, conforme a Carta Aberta das Reitoras e dos Reitores/Diretores Eleitos e Não Empossados, significativamente intitulada A Democracia Precisa Prevalecer, “pode sufocar e até mesmo levar à morte esses espaços educacionais”.

A fim de que o genocida não consiga realizar a sua doentia vontade, a pulsão de vida que transborda dos campi universitários deve prevalecer uma vez mais. Relembrar que, depois da tunga de 1998, o saudoso Aloísio Teixeira seria reitor da UFRJ em dois mandatos consecutivos, pode servir de alento na dura luta para que os/as reitores/as eleitos/as sejam nomeados/as.

*O programa Trilhas da Democracia debaterá no domingo, às 15h, os aspectos jurídicos e políticos da não nomeação pelo governo Bolsonaro dos reitores eleitos pela comunidade acadêmica. Os convidado são os reitores eleitos e não empossados da UFRB, Georgina Gonçalves, do IFSC, Maurício Gariba, e o presidente da UNE, Iago Montalvão.

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