O gigantismo imparável das Big Techs!
Em 2024, as Big Techs dos EUA faturaram no Brasil R$ 144,3 bilhões e enviraram 55% deste faturamento (R$ 80,3 bilhões) para as suas sedes
Com um olhar que nem precisa ser muito atento observa-se que segue se ampliando o processo de oligopolização das corporações de tecnologia, mesmo com as guerras e a retração econômica espalhada no mundo. Considerando as empresas de capital aberto em bolsas, oito das dez maiores companhias em valor de mercado, são, atualmente, do setor da tecnologia digital e dos dados e atingiram hoje (16 de abril de 2026, dados online do Infinite Market), o valor somado de US$ 26,5 trilhões.
Só a NVidia, a corporação de maior valor (US$ 4,8 trilhões) é cerca de seis vezes mais valiosa que a soma das dez maiores petroleiras do mundo que somam, hoje, cerca de US$ 4,2 trilhões, mesmo com o aumento de valor delas com a guerra EUA-Israel x Irã.
A Google (Alphabet) com valor de US$ 4,0 trilhões ultrapassou a Apple com US$ 3,8 trilhões.
Não estão nessa lista, as grandes corporações de tecnologia chinesas que têm capital fechado (ou só chinês) como a Huawei, ByteDance e Xiaomi. As chinesas Alibaba e Tencent aparecem na lista, mas através de suas subsidiárias, não exprimindo o valor real total de suas holdings. Também não estão na lista as companhias chinesas BYD, Baidu e Deep Seek.
Boa parte do controle das Big Techs americanas está com os grandes fundos financeiros estadudinenses e entre 3 e 5 mil grandes investidores espalhados pelo mundo, mas em especial nos EUA e Europa. As Big Techs e seus controladores não param extrair lucros pelos serviços que executam em todo o mundo, incluive naqueles de apoio à Defesa e às guerras dos EUA.
As Big Techs têm 60% de suas receitas fora dos EUA, embora por lá pague a maior parte dos impostos que renega pagar em outros países, onde também lutam ferozmente contra qualquer regulação e aumento de cobrança de impostos sobre seus serviços e suas remessas de lucros.
Em 2024, as Big Techs dos EUA faturaram no Brasil R$ 144,3 bilhões e enviraram 55% deste faturamento (R$ 80,3 bilhões) para as suas sedes. Nos últimos 5 anos, as Big Techs remeteram desde o Brasil, cerca de R$ 260 bilhões (US$ 52 bilhões) para os EUA.
Esse gigantismo espelha o maior e mais concentrado oligopólio da hisória do capitalismo no mundo, em função de sua caracaterística transsetorial e de sua atuação pervasiva, por se espalhar e de forma fácil e muito rapidamente, ampliando de forma colossal a extração de valor das várias economias em todo o mundo que demanda seus serviços.
Regular a atuação das Big Techs é pouco. É preciso ir além. É necessário termos infraestrutura digital, mais uma política pública de dados e uma diretriz em defesa da soberania nacional e dos interesses de nosso povo.
Porém, é preciso ainda compreender que o gigantismo das Big Techs americanas não é um fato estático, é um processo contínuo, cumulativo e cada vez mais imbricado, com as relações de poder entre as corporações da tecnologia digital e o Estado dos EUA, no esforço - desesperado - para manutenção de sua hegemonia.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



